Thursday, September 28

CCXXXVI

Dragão em chamas

Tal qual dragão alado e flamejante,
o nosso amor voa no céu do mundo,
intocável, seguro, excitante,
não há nada mais profundo!
Com escamas está revestido,
de projécteis malignos protegido,
pois a força que vem do interior
nunca cede a nada, assim é o nosso amor!
Poderoso, constrói a sua muralha
a cada dia que passa, conheço-te mais
e o sentimento fortalece-se, nada falha
na verdade de ser teu, nunca perder-te jamais!
Talvez o que digo seja forte e inequívoco,
mas é o que no núcleo do meu ser sinto,
portanto nunca iria mentir, dizer o contrário,
hoje e amanhã e depois sou teu ursinho, meu amor Mario!


24/09/2006

Wednesday, September 27

CCXXXV

L.R.E.

A luz redonda que apaga a escuridão
és tu, meu amor, que me enches o coração,
transformaste o que antes rio de lágrimas
num vale seco, escarpado, sem mágoas!
Pode ser que as lágrimas regressem
por saudade de ver brotar a sua época,
mas eu sei que estarás aqui comigo
e elas nem um olá e adeus merecem!
A luz escura que se fez branca
quando apareceste chama-se amor,
que sujo e negro estava, sem chama,
contudo, ao ver-te e ter-te, ganhou vigor!
Não quero os tempos de amargo pesar,
quero passar os dias contigo, feliz estar,
pois do futuro ninguém escreveu,
mas do presente junto a ti já escrevo eu!


21/09/2006

Tuesday, September 26

CCXXXIV

Puzzle das dunas

Por entre as dunas de sentir-te perto
se movia a natureza essencial do amor,
deixo de fora o que não me interessa,
entra no puzzle aquela que faltava, a peça!
Não há que duvidar que os barcos
foram chegando ao porto do amor,
mal te conheci, meu urso, mal houve
o começo da troca de carícias,
de beijos, de prazer, de fortes abraços!
Não existe uma lista de prioridades,
pois a prioridade agora és tu,
não me peçam para escolher, ninguém,
porque o certo é que te escolho afirmativo,
não há opção, sem ti morto, contigo vivo!


20/09/2006

Sunday, September 17

CCXXXIII

Ó fado meu

Desejado, o sabor dos meus lábios que
despejado do meu coração pelo teu amor,
desejados os momentos felizes em que
despejados os sentimentos sorrimos os dois!
Acariciado pelos teus braços,
o meu corpo sente-se como se fosse
teu e não meu, como trouxe
o vento o teu aroma, o teu amor,
deixaste a solidão em pedaços!
Almofada da minha alegria, ver
como és capaz de sorrir, ver
como és capaz de existir a ver
como te amo e como quero ver
a tua felicidade ao meu lado!
Para mim isto não é acaso,
pois sem dúvida isto é fado!

Sunday, September 10

CCXXXII

Em mim tu

A música invade o que sou,
pensando que teu ursinho sou,
tentando entender o sol que brilha,
mesmo tendo o teu corpo longe
de mim, a tua alma em mim é viva!
Esconder o que sinto, não me parece
que seja lógico, não sinto que
a vida boa em mim assim permanece!
Falta menos para estar contigo,
sinto tão perto, tratando, o regozijo
do meu coração ao poder sentir o teu,
tão perto que até creio que é o meu!
E nunca o mar me sustenta como tu,
nunca a terra me serve de cama
nem o ar me eleva tanto como tu,
eu sei bem quem de verdade me ama,
sei que és o meu urso, tu tu tu!


09/09/2006

Saturday, September 9

CCXXXI

Conchas e tu

As conchas estendem-se na areia,
tal como eu me deito contigo,
confortavelmente no seu sítio favorito!
A água leva e traz as conchas,
tal como o trabalho te leva de mim,
mas sempre a casa regressas!
Sempre penso em ti, mas menos
de quanto te amo, acaricio os
vastos campos do teu ser,
deixo-me cair na rede infinita
dos teus braços que me aquecem,
que me abraçam, que me fazem estremecer!
E no suave vaivém dos nossos corpos
nota-se o amor que nos inflama,
eu provoco da tua alma a chama!


07/09/2006

Friday, September 8

CCXXX

Não tira

Pode a doença tirar-me a voz,
mas o que sinto por ti não se calará,
nem com chuvas, ventos e raios,
nem os Olímpicos conseguirão o que nós
conseguimos, a força deles não tanto durará!
Pode a doença tirar-me a visão,
mas a forma como bate o meu coração
quando estou perto de ti é elucidativa
para dizer o quanto te amo,
portanto ninguém me conseguirá cegar!
Pode a doença me matar,
mas nunca conseguirá assassinar
a nossa relação, pois tudo vai continuar
no céu, no mar, no fogo do vulcão!


04/09/2006

Thursday, August 31

CCXXIX

Na cama o amor

A tristeza não é justa,
a justiça não é triste,
e eu aqui desejando, querendo
provocar na estrada do meu corpo
do teu corpo-veículo o despiste!
Sentir o embate entre dois corpos,
o teu penetrando no meu,
enquanto se libertam vapores,
a energia é muita, muito forte,
libertam-se líquidos, vastos suores!
Nada disto é injustiça,
se eu faço amor contigo,
é porque nunca tenho preguiça
de te fazer feliz, dar-te
muito prazer e amor, cariño!

Saturday, August 26

CCXXVIII

A ira do ódio

Acabada a bateria dos meus dias,
quero lembrar, meu amor, o que fazias
a meu lado e recordar as alegrias
que tivemos juntos, muitas alegrias!
Quero respirar e inspirar o aroma
excitante do teu corpo colado ao meu,
deixar de pensar em terra, mar e céu,
viver contigo até que da morte chegue o coma!
Olha para mim, aqui deitado
no leito, bem aninhado, a teu lado,
suspirando de felicidade, atrasado
que está o processo de tristeza, irado
está o ódio, porque no meu coração
apenas existe amor por ti, meu ursão!

Thursday, August 24

CCXVII

Vôo alto

Sobre as nuvens vôo agora,
mas já estive muito mais alto,
em teus braços, onde encontrado
foi o meu lugar, já era hora!
O céu azul me felicita, já
que alegre, a pensar em ti estou,
posso despenhar-me, está
certo que não me iria infeliz,
embora prefira viver mais,
a teu lado, porque assim feliz sou!
E a vida sempre me saudará
porque eu lhe dou a importância
devida, sei quanto ela vale,
mas vales tu muito mais, meu amor!


22/08/2006

Wednesday, August 23

CCXXVI

O que há-de vir

Gota por gota, separa a escuridão
de meu estado luminoso, a alma
rejubila com cada lágrima do céu,
porque aqui estou, sozinho, contigo,
as chuvas nos abençoam, tu e eu!
Pobre de quem não vive a vida,
pois eu sei que nem sempre é fácil,
mas mantendo aberta a porta,
há sempre a chance de conseguir
o que nunca se esperou, o amor!
Eu o consegui, sem o esperar,
mas tenho mérito pois consigo amar,
me feriram, mas não puderam parar
a fonte mais poderosa do meu ser,
contigo é onde e quando desejo viver!


17/08/2006

Tuesday, August 22

CCXXV

Escada para o céu

Mais do que amar-te foi enfim
possível viver ao teu lado
por uns dias, fui então feliz!
Ápice no meu coração, quem será
capaz de julgar o meu sentimento,
mesmo vendo a felicidade e sabendo?
Roer a corda até esta rebentar
é o que pretendo fazer, mesmo
sabendo que não a deixo de leve partir!
Instantes que não voltam, de ti
espero ser teu amor por bom tempo,
eu sei que isso ambos queremos!
Ostra, marisco, peixe morto ou vivo,
tenho navegado no mar da alegria,
guiado pela tua mão que nunca é fria!

15/08/2006

Monday, August 21

CCXXIV

Eu e a lua

Cortaram hoje a lua,
deixaram metade em mim,
amo-te a cada dia, tua
é a minha alegria, assim
vivo feliz de estar contigo!
Choraram hoje a morte,
a tristeza morreu e eu
não tenho pesar sobre isso,
festejo por dentro e por fora,
não tem limites minha sorte!
Se eu te tenho, meu amor,
há visões aquáticas eternas
que emitem a luz e fulgor,
encontro, no meu coração,
vivo contigo, seja donde for!

15/08/2006

Sunday, August 20

CCXXIII

N.A.O.A.

No miradouro da vida
que tal qual rede deixa passar
através das falhas a informação
exacta que eu quero colectar!
A tristeza tem estado aturdida
pois eu não a deixo caminhar
lado a lado comigo e também não
a deixo de modo algum em mim estar!
Onde vou, onde vais, onde vamos,
não sei, não sabes, não sabemos,
mas mesmo assim juntos viveremos
e nunca seremos dois estranhos!

14/08/2006

Saturday, August 19

CCXXII

Cupido negro

Noite igual ao dia, dor igual ao prazer,
vivo, morro, respiro, sufoco, nasço
a cada toque teu em meu corpo e alma,
assim está descrita a equação de contigo viver!
O sol que desenha rosas incandescentes
nas minhas pupilas que contudo preferem
ofuscar-se na luz que emanas, sol meu!
Há coisas que se explicam nunca,
como o sentimento plurifactorial
que tenho por ti, eu disfruto dele,
mas nunca o explico, pois nunca ele
poderá ser esboçado, tornado objectivo!
O vento nunca te soprará além de mim,
porque sabe que, ao agir assim,
ganharia um inimigo feroz e decidido,
o efeito negativo da seta de Cupido!

09/08/2006

Friday, August 18

CCXXI

Essência fogosa

Dança do fogo, fogo que queima,
queima o corpo, o corpo na cama,
na cama contigo, contigo para sempre,
para sempre te amando, te amando presente!
Escrevendo teu nome, nome na alma,
alma serena, sereno teu sorriso,
sorriso que se escapa, escapa a emoção,
emoção natural, naturalmente sou teu!
Maçã que foi comida, comida espiritual,
espiritual o momento, momento carnal,
o vivemos tu e eu, tu e eu nos amamos,
nos amamos vivendo, vivendo respiramos!
Colorida a essência, essência do ser,
ser duplo conjunto, conjunto humano,
humanos somos nós, nós diários,
diários do coração, coração batendo!

09/08/2006

Thursday, August 17

CCXX

Ondas no corpo

As vagas-pêlo embatendo
contra as rochas-corpo, esse sim,
é um processo bem natural,

sem contudo algum dia se tornar banal!
Cumpro esse plano sem esforço,
voluntário sacrificio de um corpo
que é teu, tu sabes que sim!
Quando se ondula a serpente,
olhas meus olhos, de frente
beijas-me ardentemente, fazendo
com que eu ferva, melhor inferno!
Escuta bem a voz-alma,
ela fala pelo meu olhar,
se nunca te esqueceres dela,
para sempre nos iremos amar!

08/08/2006

Wednesday, August 16

CCXIX

3 reinos

O meu fogo faz arder o céu,
vermelho se põe o sol a meu comando,
me deito, me fundo no corpo teu,
e o mar flameja irando a meu comando!
O teu carinho me dá felicidade,
me deixa tranquilo, dormindo na rede
segura e suave do tropical sítio
que é a nossa relação de amor!
O nosso sentir é o que nos faz vivos,
respiramos e as plantas exalam
odores afrodisíacos, que excitam
os nossos corpos, colados e vivos!
Tudo na nossa história faz esquecer
o que qualquer um viveu,
porque de felizes como tu e eu
no universo nunca houve, há ou irá haver!

03/08/2006

Tuesday, August 15

CCXVIII

Céus


Cores profundas, matizes sensuais,
nos amamos, nos descobrimos mais
enquanto o tempo parece passear,
curioso por saber onde vamos chegar!
E tem razão para essa curiosidade,
porque o potencial há em quantidade,
o real expressa de forma inequívoca
o sentimento, o descobrir, a confiança recíproca!
Um somos, dois somos nós,
um dia passa, dois pasam, os nós
da nossa relação fortificam-se
e os nossos corpos afinam-se!
Sorte a tua, sorte a minha,
maior a nossa sorte, ambos
temos razões para festejarmos,
alegria a tua, alegria a minha!

03/08/2006

Monday, August 14

CCXVII

E.T.A.

Em nome do nosso crescente amor,
vou comprar palavras,
as mais bonitas, para poder
o quanto te amo dizer!
Todavia duvido que as encontre,
pois o que sinto por ti
não se expressa em nenhum idioma,
sai directo, entra sem hesitar
do meu coração para o teu!
Amor como o nosso não cresce
em dias e noites comuns, mas sim
em paraísos terrestres, cidades
submersas, florestas com vida
própria que existem em mim,
pelo amor que me demonstras
em cada lugar que visitamos,
no unir de nossas almas
está o segredo, eu te amo!

03/08/2006

Sunday, August 13

CCXVI

Fluido alegre

A gota fria da lua da alegria
suavemente dos meus olhos caía,
enquanto eles te observavam atentos!
Eu vivia o momento, tendo a certeza
de que a tua cara não me era estranha,
e tinha razão, és o meu amor, de certeza!
Ao segundo dia amo-te mais,
ao terceiro subirei na escala,
mas n
ão será notícia nos jornais!
Não, porque eu te amo e só a ti,
então o nosso amor nos encerra
no nosso mundo, aberto mas fechado,
só amor verdadeiro, sem paz nem guerra!

01/08/2006

Tuesday, July 25

CCXV

aMor i

Apoderou-se de mim a suprema excitação,
brota viva a chama acesa da fogosa paixão
inclusa no grande amor que sinto por ti!
Migalha do pão mais saboroso que provei,
um beijo quente, teus lábios queimam lentamente
a sede do teu corpo e alma que tenho, eu sei!
Onde estaria eu que para por ti ser encontrado
demorou tanto tempo, precioso tempo do qual
disfrutamos tu e eu, sou o teu ursinho amado!
Rotas que estão as cortinas da janela da vida,
é só deixar penetrar em nós esse sol que irradia
a mais forte, por amor mútuo nosso, e luzente alegria!

Thursday, July 20

CCXIV

1CA2 = C1A

Eu poderia existir
sem ar nem mar nem terra,
mas teu corpo cai sobre o meu
como a neve cai na serra!
Suave, lentamente,
aquecem ambos
por tal contacto,
perdidos felizmente
no calor de ser dois,
na clareza do pacto!
Este que tem outro nome,
que nem sempre é feliz,
há quem nunca o tenha visto,
há quem coma essa perdiz!
E eu esquecido do mundo
penso em ti, moribundo
fico de tanta felicidade
que me traz a tua presença
na minha vida, intensa
a energia e muita a saudade!
No entanto, eu sei
que te tenho, sei
que sou teu e sei
que tu és meu, assim!
Força das areias escaldantes,
entrego-te meus sentimentos mutantes,
com a certeza de que o amo,
com a certeza de que ele me ama!
E então perguntas-me a razão
de existir tanto amor no coração
único de duas pessoas, dois homens!
Eu respondo-te, é a sintonia
que por raras vezes se cria
entre dois corpos e duas almas,
é a incomum, doce, fragrante energia
que se liberta do suor mútuo
de dois em um, corpos e almas!

Wednesday, July 19

CCXIII

Meteste a mão no meu coração,
entrou dentro e pô-lo a bombear,
o sangue flui e eu satisfeito,
tenho o teu cheiro, a disfrutar
da tua presença física e espiritual!
Agora tens de estar comigo, sim,
tens de pensar que enfim
cheguei à tua vida, urso meu,
nunca te deixarei sair, sou teu!
Romântico sou, mas mesmo que não
o fosse, lutaria por sè-lo,
para que se não perca o sentimento!
Imolarei todos os medos,
descobrirás meus segredos!
O amor chegou, chegaste tu!

06/07/2006

Sunday, July 16

CCXII

Como açúcar em chá

Assentando o meu corpo
sobre o teu, era como
o açúcar que cai dentro
da chávena de chá, fervendo!
É atraído, internamente,
grandes moléculas complexas
que se unem, energeticamente
por meio de forças extrínsecas!
Sou atraído por ti, totalmente,
os sentimentos fluem como se eu
não tivesse controlo sobre o meu
corpo, sobre a minha alma, sou teu
amor, amigo, colchão, só te peço
que nunca me deixes a esperar,
que nunca me deixes expirar,
entendo que não sou perfeito,
mas quando te sinto, meu peito
é revolvido de poderes
fortes, constantes, fatais!
São poderes, de facto, animais,
porque, para lutar por ti,
sou a fera mais perigosa
que alguma vez se viu,
para te acariciar, dentro e fora,
sou o ursinho mais doce
do universo e mais além!
Agora sou teu, não te esqueças,
meu coração é teu, não o perdas,
meu corpo é teu, nunca me peças
para ser de outra pessoa, pois
então nesse momento a vida voa!

06/07/2006

Friday, June 30

CCXI

FV7

A força criativa vem de dentro,
mas também de fora, há vivências
que te dão ensinamentos, outras
que te enterram, ainda vivendo!
E a paz com que chego a estar
é a mesma com que o mar
desperta em manhãs de sol calmo,
nada como ter o espírito são
para poder enfrentar os males do coração!
Agora escrevo e as ondas falam,
agora vivo e os peixes nadam,
agora me calo e os homens falam,
agora morro e os monstros choram!
Pranto tal porque monstro sou,
agora, amanhã, no futuro,
provem que sano não estou
e eu vos darei um prémio, seguro!


21/06/2006

Thursday, June 29

CCX

FV6

Com os braços abertos para o mar,
a praia devolve o que este lhe dá,
tal como eu, por te abraçar,
ganho forças e começo a viver, já!
Há dias em que penso na nulidade
com que a vida se desenrola
e sempre digo que a pura verdade
é que a vida, de uma forma ou de outra,
quer o melhor para ti mesmo,
mas que a qualquer momento te degola!
Dorme o adormecido, mas desperto,
morre o suicida, mas com espírito vivo,
pois, se se matou, foi porque teve
a força suficiente, não como eu!

21/06/2006

Wednesday, June 28

CCIX

FV5

A raiva e a incredulidade
são armas fortes, armas vãs,
te esperava ansiosamente,
na cama, esperanças vãs!
A decepção e a realidade
são experiências comuns, irritantes,
acordado permanecia aguardando,
momentos crus, deveras irritantes!
Até posso começar a tentar entender,
mas confesso que de ti não esperava
tal atitude, por tal ficava
perplexo e algo triste, podes crer!


18/06/2006

Tuesday, June 27

CCVIII

FV4

Escutava o tocar frio
e falava comigo o ar fresco,
eu pensava nos homens
e naquilo que para mim valem.
É o mutualismo entre um ter
e prisioneiro então ser,
entre deveras nenhum haver
e livre, voando, livre ser!
Contudo, não existe simultaneidade
entre um e outro desses eventos,
por tal, haverá a decisão, verdade
seja dita, depois disfrutar momentos!
Não há que ter receio de enfrentar
a possível prisão prazenteira,
há que seguir a viver, respirar,
tendo no bolso uma toda vida inteira!


16/06/2006

Monday, June 26

CCVII

FV3

Na ilha estou, ilha sou,
pois tenho pensamentos meus
que mesmo aqui, distante,
continuam a viver em mim!
E por isso reflexivo estou,
oiço o que dizes, vocábulos teus,
e por vezes me calo, distante
do lugar onde agora respiro, assim!
Trovador dos poemas belos
era o que sempre sonhei ser,
mas, por enquanto, basta tê-los
guardados na gaveta, amadurecer!
Vamos ver se a estrada edita,
vamos ver onde a virtude habita,
seria interessante apresentar
o livro, chegar, ver e publicar!


15/06/2006

Sunday, June 25

CCVI

FV2

Os três anéis negros
transportam a energia vital,
tragédia mortal, entre os penedos
que escondem algo tenebroso!
O fluxo que sinto agora
a percorrer as minhas veias
está calmo, como tu, embora
não te possa comparar a elas!
És mais importante do que eu,
as minhas veias ou a minha vida,
porquanto eu morra, o meu
trabalho permanecerá, calmo,
na pequena gaveta perdida!
Morrerei um dia, tu também,
mas enquanto aqui estamos,
é melhor aproveitar, deitamos
os corpos desnudos, aqui e além!

13/06/2006

Saturday, June 24

CCV

FV1

As nuvens, o mar, o vento,
faziam parte deste meu dia,
me acompanhavam, com medo,
que por aqui minh'alma se perdia!
Mas eu logo os acalmei, dizendo
a verdade, que estou em boas mãos,
não há que temer, tremendo
quando te sentes próximo de seres irmãos!
Há momentos, instantes, alturas
em que não duvidas da tua sorte,
em que vives sem receio da morte,
em que não há obstáculos, coisas duras!
E tens que agradecer a quem,
com a sua presença, te faz bem!
Como é bom sentir-se em casa!

13/06/2006

Tuesday, June 6

CCIV

Pena negra

Corvo negro, não te encontro,
pensava que eras meu,
fugiste da minha presença,
agora lido com a branca descrença!
Retiro do baú as bugigangas
que de funcionar já se esqueceram,
morta a consciência da dor
pois não há nada vivo que a sustente!
Podias salvar-me do que não sou,
mas eu entendo que não te sacrifiques,
há situações na vida em que me dou,
mas eu entendo que não te apliques!
Estorva o silêncio, na nossa cama,
fala com os teus lábios nos meus,
envolve-me nos peludos braços teus,
lutemos enganchados na humana lama!

03/06/2006

Monday, June 5

CCIII

Perene

Tira-me o que permanece
atado a mim, perene
como as folhas que não saem,
como as gotas de chuva que não caem!
Duro, o coração de pedra
que não me concede a paz
que desejo, envolve a esfera
de ti, o ser que muito me apraz!
Há vida, mas não há morte,
divide-se a alma e lança-se à sorte,
esquece o que tens, pois eu não sou teu,
luta pelo que queres, eu não serei teu!
Chora pelo que é indefinido, isso atrasa
o movimento emancipado do fogo em brasa,
eu não aguento a solidão de ser teu,
morre, aniquila e chegarás ao céu!

03/06/2006

Sunday, June 4

CCII

Corpo em chamas

As ondas voavam, cresciam
para mim e eu sonhava
com os mais belos desejos
e os efeitos que eles produziam!
Corpórea a tua alma que tocava
o meu espírito fogoso, que beijava
a doçura dos momentos vivos,
há a possibilidade de me teres,
me recusas, de provares o mel
que te dou, agora e sempre!
Eu morri e tu viveste, a negra cor
possuiu o presente que sem amor
escorre como a água da fonte,
deixo que o povo a história conte!

03/06/2006

Saturday, June 3

CCI

Melodia 7 E

Elipses de movimento descontrolado,
fujo e enfrento o meu medo de lado,
falta a coragem para lutar de frente
para ele, falta que em mim seja crente!
Encarcerado numa prisão de raízes,
vejo escapar os momentos felizes
sem que culpa tenha eu disso,
sinto que ainda respiro, aliviado
por ver que ainda a isto resisto!
Entumescência interior eu tenho,
desde o cume ao sopé do monte,
quem me beija a alva fronte
tem que estar certo do meu valor,
tem que saber que necessito fulgor,
não aceito estar com o de espírito roufenho!
Envolto em véus que da pureza me escondem,
penso nas minhas vontades, no que respondem
as vozes internas que habitam em mim
e lembro-me que nunca fui assim,
apesar de o ser agora, neste instante,
o que leva alguém a mudar radicalmente
como talvez eu tenha mudado, aberrante!
Estarei eu karmikizado para ficar
estagnado a inspirar veneno vil
que me obriga a esticar o pernil
na hora em que eu menos quero,
no momento em que todo o severo
destino me empurra para o lugar
mais frio que existe, a minha alma
resiste, mas tudo o que subsiste é calma!
Exasperante agitação que nunca vem,
procuro ajuda de aquém e além,
analiso e depreendo por observação
do evidente que ela não chegará,
a menos que eu cometa a traição,
que eu engane o amigo de todas horas,
aquele com quem vivo ao deus dará,
nunca me deu a comer das doces amoras
que cultiva com tanto amor no seu pomar!
Escurecido pelo tempo bom corredor,
deixa o carinho a quem o quer receber,
espalha pelo mundo a lei do prazer,
cala a boca que discorda do amor,
mata o vício crescente da violência,
suaviza a feroz humana concorrência,
ensina que esperar nem sempre atrasa,
mostra a todos o caminho de volta a casa,
entrega o seu coração numa bandeja
e diz, já fui, agora quem quiser, que seja!

Monday, May 8

CC

Bosque de questões

Através do plástico via o exterior,
coberto de decência e pudor,
enquanto por dentro nada mais havia
que uma mente envolta em luxúria!
Há que aproveitar o estado iluminado
d'essa mente e tentar que o prazer
inunde a vida, deixando motivado
aquele que, indeciso, não quer perecer!
Provações internas, dilemas,
escuros bosques de perguntas
feitas árvores, com os seus ramos,
muito longos, onde as decisões atamos!
As milícias internas combatem
os exércitos que tentam destruir
o que existe, que à força querem
retirar o que não há meio de vir!


07/05/2006

Sunday, May 7

CXCIX

Rosas de fora

Finalmente me saem as palavras,
pensava que tu mas guardavas,
e depois me recordei que de mim
tu já não tens nada, nada de mim!
As rosas que sinto florescer
são todas exteriores à minha alma,
se lá fora se vè a euforia crescer,
cá dentro reina a mórbida calma!
O fogo ferve calminho, adormecido
pelos caminhos estranhos que tem percorrido
e das sombras ainda resta muito
material, muita presença, é muito!
Esquecido no areal, o meu corpo esfria
e pelo contrário a minha alma aquece,
eu sem saber a vaga razão sombria
por que esse evento acontece!



06/05/2006

Saturday, May 6

CXCVIII

Fuga do sol-tu

O sol já está a fugir,
eu oiço sons bonitos doces
e lembro-me de ti, como se fosses
a associação perfeita, a fugir!
Mas não me parece que o sejas,
há feridas intensas, tu almejas
o que já não existe, trataste
de o deixar escapar, seu traste!
Coragem não tenho para superar
os pensamentos que voam, poderosos,
e a confiança em mim eu a vou deixar
para momentos que virão, temerosos!
Poderia escolher as ondas que me chamam,
poderia escolher as musas que me aclamam,
poderia escolher-te, mas não posso,
tenho medo que regresse o navio-destroço!

06/05/2006

Monday, April 24

CXCVII

Frutos e sonhos

Serão os sonhos avisos,
as noites sem dormir, atento
ao que se passa mente adentro,
tentando descobrir sorrisos
da alma que me levem em frente!
Não sei se será justo
estar contigo e ao mesmo tempo
pensar em estar com outros,
porque eu estava aprendendo
a ter solo os meus momentos!
Estou dividido entre duas decisões,
entre a carne e o peixe, ilusões
eu tenho em relação a esses dois,
vou-me decidir por um deles
e se erro, como me sentirei depois?
São tantas perguntas que nem eu
sei responder, tu foste meu e eu
fui teu, mas escolheste perder
a minha companhia, de forma tola,
e agora voltas e agora a roda rebola!
Gira, dá voltas essa roda
e eu me entrelaço na confusão
de sentimentos e pura razão
que me têm preso à prisão
de noites sem dormir, na cama!
Eu disse que sim, mas não seguro,
tens que tornar este fruto maduro
para que eu me sinta confiante
de que vale a pena deixar a carne fumegante
para escolher o peixe fresco, preso no anzol!


24/04/2006

Sunday, April 23

CXCVI

Mancebo de lá

A chama que irrompe
dos canais intricados
do meu profundo ser
é negra, carnal e dura,
se espelha, se confunde
com os meus medos enterrados!
Receios tão pérfidos
que voltaram de visita,
me retiraram a escrita
e só ma devolveram hoje!
E neste dia porque soube
da verdadeira verdade,
porque descobri o oculto,
encontrei o escuro vulto
do que foi e não do que é,
feliz o mancebo agora é!
Entendo e apoio esse ser feliz,
mas porque não foi comigo,
porque não seria eu o que quis,
não seria eu o seu quente abrigo...


21/03/2006

Saturday, April 22

CXCV

Cavaleiro de carvão

Estou com a coleira
mas não sou cão,
só se for dos infernos,
pois meus pensamentos internos
fazem lembrar a negra erupção,
aquela que irá devorar a terra inteira!
Vi o que não queria ver,
vi a mentira debaixo do tapete,
vi o tratamento indiferenciado
de que foi alvo o rapazinho inocente!
Que tristeza me dá esse facto,
de ver que ele afinal está intacto,
apesar de me destruir as ilusões
e de deixar à deriva as minhas emoções!
Ainda lhe desejei felicidades,
deveria ter cumprido com a minha obrigação,
acabar com tudo, agora, p'ra sempre,
fugir na carruagem negra, morto carvão!


21/03/2006

Friday, April 21

CXCIV

Onde estiver

Forte, a ventania
que se impõe no dia
que é especial
por ser tão normal!
Aquece o rosto
a vontade de sorrir,
esfria o coração
na ânsia de se partir!
E há muitas coisas
que se dizem, que se falam,
mas que, ao vê-las,
se escondem, se calam!
Eu aqui pensando em ti
sem poder estar contigo,
sem poder ser agora teu,
sem conseguir dar abrigo
ao amor que não é meu,
mas é dele, do amigo!
Por isto tudo escrevo
e tenho muito medo
de que o que penso
se venha a realizar!
Quero, sem dúvida,
esta ideia exconjurar,
visto que é egoísta,
felicidade me traria,
mas o outro iria chorar,
consumir-me em chama
negra, de tão escura
a sua vida se haver tornado
e eu aqui imaculado,
cheio de ideias tão erradas,
mas com a minha alma pura!


11/02/2006

Thursday, April 20

CXCIII

Leitaria

Encontro um caminho
que não me deixa ter
duas opções, ou uma
ou outra, as duas nem mortinho!
Uma é a jaula feliz,
a outra é a selva feliz,
como são elas iguais
e contudo diferentes demais!
É difícil conjugá-las,
pois a jaula não foi feita
certamente para estar aberta,
nem a selva foi criada
para manter a fauna aprisionada!
É no entrar e sair que está a virtude,
por isso vou preferindo a selva,
deixo-me manter a minha atitude
e concentro-me, como cavalo, a comer a relva!
Desde que a coma bem e que ma deixem comer,
é nisso que vou focando o meu viver,
momentos puros e selvagens de prazer,
na selva livre, aquela em que o leite
de todo e qualquer lugar parece escorrer!


16/01/2006

Wednesday, April 19

CXCII

Eceaia

É mais fácil destroçar
um coração frágil, desarmado,
que por tanto te amar
se esqueceu de vigiar a porta, relaxado!
Cada tremor que o meu corpo sente
é sinal do vulcão imenso, fervente,
que entra em erupção, agora,
de lava deixa sair lágrimas, chora!
Entendo que não entendas,
mas é pena que te rendas
ao mais fácil que há na vida:
deixar de sonhar com a terra prometida!
As nuvens voltarão de visita,
enquanto a emoção dentro palpita,
pula, enlouquece com o louco que sou,
podre de situações, sim, terminou!
Interessante sou eu, sei que sim,
não preciso que mo digas a mim,
porque, se há pessoas que me adoram,
essas nunca em deixar-me pensaram!
Agora só tens que ser feliz,
livraste-te do fardo que era eu,
espero que encontres o caminho teu,
sorri, que isso eu sempre ver quis!

11/12/2005

Tuesday, April 18

CXCI

Fortius invernalis

Os dias vão ficando escuros
e os sentimentos mais puros,
à medida que me fazes falta,
meu amor, me fazes falta!
Na fé de estar junto a ti,
é nela que me refugio, quente,
protegido do gelo de te perder,
esquecido de como, sem ti, é viver!
E os dias passam todos os dias,
entre as ruínas de coisas idas
e as construções de coisas vindas,
é por te amar que surgem minhas alegrias!
Estou aqui, pensando no calor do teu coração
e tentando forçar a minha imaginação
a me mostrar mais real o estar abraçado,
nos teus braços, qual teia de aranha, enredado!
E a chuva que não cai lá fora
sabe bem o quão inútil é agora
tentar ferir-me com o seu veneno,
porque forte, pelo amor, estou pleno!
Era preciso o universo se rebelar
e mesmo assim não seria capaz de derrubar
o colosso de diamante que sou eu,
agora que tu, meu ursinho, és meu!
E venham as tempestades furiosas,
e venham os mares a bramir,
venham as entidades mais poderosas
que eu estarei cá para resistir,
porque mais forte que eu banhado em amor
não há, no universo, seja onde for!


08/11/2005

Monday, April 17

CXC

Simples saudade

E é neste dia chuvoso
que penso mais em ti,
penso no amor carinhoso
que temos para compartir!
Devemos ambos ter saudades,
daquelas que não se esgotam,
porque afinal estamos longe
e os braços não se tocam!
Eu sinto-te aqui, mas aí,
porque queria estar contigo,
meu amor, é assim por ti
o que sinto, tu és uno comigo.
Queria de novo explodir
de prazer, amor e emoção,
porque te vejo a entrar e sair
do meu corpo, promovendo a união
de nossos corpos em um só,
e chegando ao céu do amor,
das estrelas más apenas resta o pó!
Destruídas foram pelo amor
que um pelo outro consolidámos,
consumámos e iniciámos,
não lhes coube nada mais
que a evaporação, nada mais!
Eu quero viver a teu lado,
junto de ti, aprisionado
voluntariamente pelo teu carinho,
contigo não me sinto sozinho,
é do teu amor, do nosso amor
que respiro, ar que entra
nos pulmões do coração,
ele, aliviado, respira
e canta todos os dias em tua honra
uma bonita e doce canção,
é para ti, Fran, meu amor!


16/10/2005

Sunday, April 16

CLXXXIX

Ramorfan

É triste não poder exprimir
o quão feliz me estou a sentir,
porque aí o mundo veria
quão brilhante pode ser a luz do dia!
O amor por ti me reconfigura,
sinto-me a ter uma outra estrutura,
entendo a alegria extrema,
vivo com a força do coração, plena!
Dás-me mais do que já pedi
e menos do que ainda quero, de ti
tudo o que chega até mim
são rosas de cor carmim.
Carmim como o sangue,
que corre nas veias,
agora é a hora de
tecer como aranhas
as nossas bonitas teias!
Enrolar-me nos teus braços
e não pensar em mais nada,
deixar reforçar os laços
que me unem a ti, ursinho,
aquele que és e mais nada.
Pensava não poder exprimir
tudo aquilo que hoje sinto,
mas afinal é fácil deixar sair
tudo o que do coração flui,
essa é a verdade, te amo muito.


26/09/2005

Saturday, April 15

CLXXXVIII

Casos de jejum

Há casos em que me sinto
oprimido pelo apertado cinto
da pressão social, que me faz
sentir como um vulgar rapaz.
Há casos em que não valho nada,
em que algo de acção desejada
se esfuma na preguiça instalada,
e eu, com a vista, na vida parada.
No entanto, ela melhora agora,
tenho o meu ursinho Fran,
não podia pedir mais, embora
ainda não tenha acordado abraçado a ele,
numa linda, alva, doce manhã!
Ele faz-me falta, necessito do
seu abraço aconchegante, do
seu beijo apaixonado, do
amor que ele tem por mim!
A distância dos dias
não é demasiada, apenas
incomoda, porque queremos
os dois rebolar na paixão,
nos imensos campos de flores
coloridas de cada coração,
um e outro, juntos como um,
batendo compassadamente,
calma, mas apaixonadamente,
ó meu ursinho, meu amor,
não me deixes sem o sabor
do pão que é teu corpo, nunca
me deixes da tua alma em jejum!


18/09/2005

Friday, April 14

CLXXXVII

Se a vida gira e roda
qual fita larga de filme,
então porque insisto que fique
tudo igual, se vá tudo embora?
Quando me auto-analiso agora,
há coisas que entendo facilmente,
outras que há gente que as adora,
ainda umas que batem de frente
com os princípios, vaga aurora
que povoa a consciência-mente!
E sou levado a pensar que sou
menos do que julgava ser, mas
sempre é mais o que dou
e sempre guardo nas memórias
os beijos, carícias, abraços, fodas,
o que, até hoje, comigo se passou!


25/08/2005

Thursday, April 13

CLXXXVI

M-NARF

Neste dia pude perceber como
a vida é capaz de trazer
coisas tão boas, tais como
aquelas que te dão prazer!
Mas não foi apenas isso hoje,
foi captar paz e interiorizar
que aquilo que se passou hoje
ficará na memória, não dá para apagar!
Adorei poder ter estado contigo,
disfrutar de alma e corpo de ti,
estar deitado na cama contigo
foi onde, envolto em alegria, me perdi!
Razão tinha eu em querer ver-te,
sei que nunca vou poder ter-te,
mas também não era isso que eu
desejava, quero ver-te feliz com o teu!
Folhada a superfície do teu corpo,
pelo-folha te cobria por todo ele,
senti-me protegido, estando pele com pele,
não há mais a dizer, gordi, te quiero!

17/08/2005

Wednesday, April 12

CLXXXV

Numa tarde de lua quase cheia,
o vitelo mamava na sua teta favorita,
deixando a sua vaca mãe bonita
contente, feliz, satisfeita!
Ela, que o deixava mamar
sem pressa, abanava a cabeça
em sinal de assentimento e,
de vez em quando, soltava um
gemido, do prazer de ver
seu vitelo a sua teta chupar.
Ele espera voltar a vê-la,
à mãe vaca e à sua teta,
para poder mamar leite mais,
para saber o que é bom na vida,
para atingir prazeres totais,
não quer, de modo algum, perdê-la!

16/08/2005

Tuesday, April 11

CLXXXIV

E a areia vinha em direcção
a mim, como onda branca granular,
dizendo-me que sim, é possível voar
para os braços de quem tem teu coração!
No entanto, e mesmo na praia,
local precioso, mágico, excitante,
é possível ficar sozinho, não saia
da toca o coelho que mais quero!
As micas brilham em consolo
e eu pensando em estar tranquilo,
naquele tão desejado fofo colo!
Tentei a minha sorte neste dia,
ia sendo sem remorsos agredido,
mas o que realmente dói todavia
é a mágoa de sozinho isto ter vivido!

30/07/2005

Monday, April 10

CLXXXIII

Rua da alma, só esta mesmo,
vazia e calma, como um ermo,
sonhava distante, pensando em ti,
voava constante, sentindo-me assim!
Não escrevo a vida, mas tento
escrever o coração que tenho,
o meu que te dou sempre,
aquele que é teu, presente!
É escassa a onda forte
que não rebente em terra,
como escassa é a sorte
minha, nesta romântica guerra!
Mas não perco o ânimo,
nem perco o doce carinho
que guardo com destino
de to dar um dia, meu fofinho!
Não sei para quem escrevo isto,
mas ele decerto me encontrará
e todo um momento me abraçará!

30/07/2005

Sunday, April 9

CLXXXII

Provas torpedo

Provas fúteis de que há memória,
é do que é, será e foi feita a história,
mas eu sei que não tens toda culpa,
que a vida prega partidas que não
esperas, que nunca a tua mente
pensava descobrir, nunca descubra!
Completa as peças diárias da vida,
como se não houvesse a fúria devida,
como se a calma ficasse esquecida
onde nunca talvez quisesse
ficar, pobre ela, ali envolvida!
Talvez necessites de gritar mais,
ou que a vida te ajude mais,
ou que os sentimentos se tornem mais
claros, todavia no zoo os animais
se assustam com os visitantes mais
do que com as feras, ferozes mais!

08/07/2005

Saturday, April 8

CLXXXI

Trovão-raiva

Quando há alturas de tensão,
não há como não explodir,
bomba forte, dura, quente,
é o que se mete na gente
quando há alturas de tensão!
Guarda a energia em ti, agora,
mas não deixes de prever antes
que da raiva não se sente a demora,
ela vem como se nunca tivesse ido
e a mágoa que sentes depois
é apenas a face visível do prurido.
Pondera os gestos e aí vais saber
o que estou, agora, a tentar dizer,
mas, por mim, tu não deixes de ser,
que o melhor da vida é viver!

08/07/2005