Friday, June 30

CCXI

FV7

A força criativa vem de dentro,
mas também de fora, há vivências
que te dão ensinamentos, outras
que te enterram, ainda vivendo!
E a paz com que chego a estar
é a mesma com que o mar
desperta em manhãs de sol calmo,
nada como ter o espírito são
para poder enfrentar os males do coração!
Agora escrevo e as ondas falam,
agora vivo e os peixes nadam,
agora me calo e os homens falam,
agora morro e os monstros choram!
Pranto tal porque monstro sou,
agora, amanhã, no futuro,
provem que sano não estou
e eu vos darei um prémio, seguro!


21/06/2006

Thursday, June 29

CCX

FV6

Com os braços abertos para o mar,
a praia devolve o que este lhe dá,
tal como eu, por te abraçar,
ganho forças e começo a viver, já!
Há dias em que penso na nulidade
com que a vida se desenrola
e sempre digo que a pura verdade
é que a vida, de uma forma ou de outra,
quer o melhor para ti mesmo,
mas que a qualquer momento te degola!
Dorme o adormecido, mas desperto,
morre o suicida, mas com espírito vivo,
pois, se se matou, foi porque teve
a força suficiente, não como eu!

21/06/2006

Wednesday, June 28

CCIX

FV5

A raiva e a incredulidade
são armas fortes, armas vãs,
te esperava ansiosamente,
na cama, esperanças vãs!
A decepção e a realidade
são experiências comuns, irritantes,
acordado permanecia aguardando,
momentos crus, deveras irritantes!
Até posso começar a tentar entender,
mas confesso que de ti não esperava
tal atitude, por tal ficava
perplexo e algo triste, podes crer!


18/06/2006

Tuesday, June 27

CCVIII

FV4

Escutava o tocar frio
e falava comigo o ar fresco,
eu pensava nos homens
e naquilo que para mim valem.
É o mutualismo entre um ter
e prisioneiro então ser,
entre deveras nenhum haver
e livre, voando, livre ser!
Contudo, não existe simultaneidade
entre um e outro desses eventos,
por tal, haverá a decisão, verdade
seja dita, depois disfrutar momentos!
Não há que ter receio de enfrentar
a possível prisão prazenteira,
há que seguir a viver, respirar,
tendo no bolso uma toda vida inteira!


16/06/2006

Monday, June 26

CCVII

FV3

Na ilha estou, ilha sou,
pois tenho pensamentos meus
que mesmo aqui, distante,
continuam a viver em mim!
E por isso reflexivo estou,
oiço o que dizes, vocábulos teus,
e por vezes me calo, distante
do lugar onde agora respiro, assim!
Trovador dos poemas belos
era o que sempre sonhei ser,
mas, por enquanto, basta tê-los
guardados na gaveta, amadurecer!
Vamos ver se a estrada edita,
vamos ver onde a virtude habita,
seria interessante apresentar
o livro, chegar, ver e publicar!


15/06/2006

Sunday, June 25

CCVI

FV2

Os três anéis negros
transportam a energia vital,
tragédia mortal, entre os penedos
que escondem algo tenebroso!
O fluxo que sinto agora
a percorrer as minhas veias
está calmo, como tu, embora
não te possa comparar a elas!
És mais importante do que eu,
as minhas veias ou a minha vida,
porquanto eu morra, o meu
trabalho permanecerá, calmo,
na pequena gaveta perdida!
Morrerei um dia, tu também,
mas enquanto aqui estamos,
é melhor aproveitar, deitamos
os corpos desnudos, aqui e além!

13/06/2006

Saturday, June 24

CCV

FV1

As nuvens, o mar, o vento,
faziam parte deste meu dia,
me acompanhavam, com medo,
que por aqui minh'alma se perdia!
Mas eu logo os acalmei, dizendo
a verdade, que estou em boas mãos,
não há que temer, tremendo
quando te sentes próximo de seres irmãos!
Há momentos, instantes, alturas
em que não duvidas da tua sorte,
em que vives sem receio da morte,
em que não há obstáculos, coisas duras!
E tens que agradecer a quem,
com a sua presença, te faz bem!
Como é bom sentir-se em casa!

13/06/2006

Tuesday, June 6

CCIV

Pena negra

Corvo negro, não te encontro,
pensava que eras meu,
fugiste da minha presença,
agora lido com a branca descrença!
Retiro do baú as bugigangas
que de funcionar já se esqueceram,
morta a consciência da dor
pois não há nada vivo que a sustente!
Podias salvar-me do que não sou,
mas eu entendo que não te sacrifiques,
há situações na vida em que me dou,
mas eu entendo que não te apliques!
Estorva o silêncio, na nossa cama,
fala com os teus lábios nos meus,
envolve-me nos peludos braços teus,
lutemos enganchados na humana lama!

03/06/2006

Monday, June 5

CCIII

Perene

Tira-me o que permanece
atado a mim, perene
como as folhas que não saem,
como as gotas de chuva que não caem!
Duro, o coração de pedra
que não me concede a paz
que desejo, envolve a esfera
de ti, o ser que muito me apraz!
Há vida, mas não há morte,
divide-se a alma e lança-se à sorte,
esquece o que tens, pois eu não sou teu,
luta pelo que queres, eu não serei teu!
Chora pelo que é indefinido, isso atrasa
o movimento emancipado do fogo em brasa,
eu não aguento a solidão de ser teu,
morre, aniquila e chegarás ao céu!

03/06/2006

Sunday, June 4

CCII

Corpo em chamas

As ondas voavam, cresciam
para mim e eu sonhava
com os mais belos desejos
e os efeitos que eles produziam!
Corpórea a tua alma que tocava
o meu espírito fogoso, que beijava
a doçura dos momentos vivos,
há a possibilidade de me teres,
me recusas, de provares o mel
que te dou, agora e sempre!
Eu morri e tu viveste, a negra cor
possuiu o presente que sem amor
escorre como a água da fonte,
deixo que o povo a história conte!

03/06/2006

Saturday, June 3

CCI

Melodia 7 E

Elipses de movimento descontrolado,
fujo e enfrento o meu medo de lado,
falta a coragem para lutar de frente
para ele, falta que em mim seja crente!
Encarcerado numa prisão de raízes,
vejo escapar os momentos felizes
sem que culpa tenha eu disso,
sinto que ainda respiro, aliviado
por ver que ainda a isto resisto!
Entumescência interior eu tenho,
desde o cume ao sopé do monte,
quem me beija a alva fronte
tem que estar certo do meu valor,
tem que saber que necessito fulgor,
não aceito estar com o de espírito roufenho!
Envolto em véus que da pureza me escondem,
penso nas minhas vontades, no que respondem
as vozes internas que habitam em mim
e lembro-me que nunca fui assim,
apesar de o ser agora, neste instante,
o que leva alguém a mudar radicalmente
como talvez eu tenha mudado, aberrante!
Estarei eu karmikizado para ficar
estagnado a inspirar veneno vil
que me obriga a esticar o pernil
na hora em que eu menos quero,
no momento em que todo o severo
destino me empurra para o lugar
mais frio que existe, a minha alma
resiste, mas tudo o que subsiste é calma!
Exasperante agitação que nunca vem,
procuro ajuda de aquém e além,
analiso e depreendo por observação
do evidente que ela não chegará,
a menos que eu cometa a traição,
que eu engane o amigo de todas horas,
aquele com quem vivo ao deus dará,
nunca me deu a comer das doces amoras
que cultiva com tanto amor no seu pomar!
Escurecido pelo tempo bom corredor,
deixa o carinho a quem o quer receber,
espalha pelo mundo a lei do prazer,
cala a boca que discorda do amor,
mata o vício crescente da violência,
suaviza a feroz humana concorrência,
ensina que esperar nem sempre atrasa,
mostra a todos o caminho de volta a casa,
entrega o seu coração numa bandeja
e diz, já fui, agora quem quiser, que seja!

Monday, May 8

CC

Bosque de questões

Através do plástico via o exterior,
coberto de decência e pudor,
enquanto por dentro nada mais havia
que uma mente envolta em luxúria!
Há que aproveitar o estado iluminado
d'essa mente e tentar que o prazer
inunde a vida, deixando motivado
aquele que, indeciso, não quer perecer!
Provações internas, dilemas,
escuros bosques de perguntas
feitas árvores, com os seus ramos,
muito longos, onde as decisões atamos!
As milícias internas combatem
os exércitos que tentam destruir
o que existe, que à força querem
retirar o que não há meio de vir!


07/05/2006

Sunday, May 7

CXCIX

Rosas de fora

Finalmente me saem as palavras,
pensava que tu mas guardavas,
e depois me recordei que de mim
tu já não tens nada, nada de mim!
As rosas que sinto florescer
são todas exteriores à minha alma,
se lá fora se vè a euforia crescer,
cá dentro reina a mórbida calma!
O fogo ferve calminho, adormecido
pelos caminhos estranhos que tem percorrido
e das sombras ainda resta muito
material, muita presença, é muito!
Esquecido no areal, o meu corpo esfria
e pelo contrário a minha alma aquece,
eu sem saber a vaga razão sombria
por que esse evento acontece!



06/05/2006

Saturday, May 6

CXCVIII

Fuga do sol-tu

O sol já está a fugir,
eu oiço sons bonitos doces
e lembro-me de ti, como se fosses
a associação perfeita, a fugir!
Mas não me parece que o sejas,
há feridas intensas, tu almejas
o que já não existe, trataste
de o deixar escapar, seu traste!
Coragem não tenho para superar
os pensamentos que voam, poderosos,
e a confiança em mim eu a vou deixar
para momentos que virão, temerosos!
Poderia escolher as ondas que me chamam,
poderia escolher as musas que me aclamam,
poderia escolher-te, mas não posso,
tenho medo que regresse o navio-destroço!

06/05/2006

Monday, April 24

CXCVII

Frutos e sonhos

Serão os sonhos avisos,
as noites sem dormir, atento
ao que se passa mente adentro,
tentando descobrir sorrisos
da alma que me levem em frente!
Não sei se será justo
estar contigo e ao mesmo tempo
pensar em estar com outros,
porque eu estava aprendendo
a ter solo os meus momentos!
Estou dividido entre duas decisões,
entre a carne e o peixe, ilusões
eu tenho em relação a esses dois,
vou-me decidir por um deles
e se erro, como me sentirei depois?
São tantas perguntas que nem eu
sei responder, tu foste meu e eu
fui teu, mas escolheste perder
a minha companhia, de forma tola,
e agora voltas e agora a roda rebola!
Gira, dá voltas essa roda
e eu me entrelaço na confusão
de sentimentos e pura razão
que me têm preso à prisão
de noites sem dormir, na cama!
Eu disse que sim, mas não seguro,
tens que tornar este fruto maduro
para que eu me sinta confiante
de que vale a pena deixar a carne fumegante
para escolher o peixe fresco, preso no anzol!


24/04/2006

Sunday, April 23

CXCVI

Mancebo de lá

A chama que irrompe
dos canais intricados
do meu profundo ser
é negra, carnal e dura,
se espelha, se confunde
com os meus medos enterrados!
Receios tão pérfidos
que voltaram de visita,
me retiraram a escrita
e só ma devolveram hoje!
E neste dia porque soube
da verdadeira verdade,
porque descobri o oculto,
encontrei o escuro vulto
do que foi e não do que é,
feliz o mancebo agora é!
Entendo e apoio esse ser feliz,
mas porque não foi comigo,
porque não seria eu o que quis,
não seria eu o seu quente abrigo...


21/03/2006

Saturday, April 22

CXCV

Cavaleiro de carvão

Estou com a coleira
mas não sou cão,
só se for dos infernos,
pois meus pensamentos internos
fazem lembrar a negra erupção,
aquela que irá devorar a terra inteira!
Vi o que não queria ver,
vi a mentira debaixo do tapete,
vi o tratamento indiferenciado
de que foi alvo o rapazinho inocente!
Que tristeza me dá esse facto,
de ver que ele afinal está intacto,
apesar de me destruir as ilusões
e de deixar à deriva as minhas emoções!
Ainda lhe desejei felicidades,
deveria ter cumprido com a minha obrigação,
acabar com tudo, agora, p'ra sempre,
fugir na carruagem negra, morto carvão!


21/03/2006

Friday, April 21

CXCIV

Onde estiver

Forte, a ventania
que se impõe no dia
que é especial
por ser tão normal!
Aquece o rosto
a vontade de sorrir,
esfria o coração
na ânsia de se partir!
E há muitas coisas
que se dizem, que se falam,
mas que, ao vê-las,
se escondem, se calam!
Eu aqui pensando em ti
sem poder estar contigo,
sem poder ser agora teu,
sem conseguir dar abrigo
ao amor que não é meu,
mas é dele, do amigo!
Por isto tudo escrevo
e tenho muito medo
de que o que penso
se venha a realizar!
Quero, sem dúvida,
esta ideia exconjurar,
visto que é egoísta,
felicidade me traria,
mas o outro iria chorar,
consumir-me em chama
negra, de tão escura
a sua vida se haver tornado
e eu aqui imaculado,
cheio de ideias tão erradas,
mas com a minha alma pura!


11/02/2006

Thursday, April 20

CXCIII

Leitaria

Encontro um caminho
que não me deixa ter
duas opções, ou uma
ou outra, as duas nem mortinho!
Uma é a jaula feliz,
a outra é a selva feliz,
como são elas iguais
e contudo diferentes demais!
É difícil conjugá-las,
pois a jaula não foi feita
certamente para estar aberta,
nem a selva foi criada
para manter a fauna aprisionada!
É no entrar e sair que está a virtude,
por isso vou preferindo a selva,
deixo-me manter a minha atitude
e concentro-me, como cavalo, a comer a relva!
Desde que a coma bem e que ma deixem comer,
é nisso que vou focando o meu viver,
momentos puros e selvagens de prazer,
na selva livre, aquela em que o leite
de todo e qualquer lugar parece escorrer!


16/01/2006

Wednesday, April 19

CXCII

Eceaia

É mais fácil destroçar
um coração frágil, desarmado,
que por tanto te amar
se esqueceu de vigiar a porta, relaxado!
Cada tremor que o meu corpo sente
é sinal do vulcão imenso, fervente,
que entra em erupção, agora,
de lava deixa sair lágrimas, chora!
Entendo que não entendas,
mas é pena que te rendas
ao mais fácil que há na vida:
deixar de sonhar com a terra prometida!
As nuvens voltarão de visita,
enquanto a emoção dentro palpita,
pula, enlouquece com o louco que sou,
podre de situações, sim, terminou!
Interessante sou eu, sei que sim,
não preciso que mo digas a mim,
porque, se há pessoas que me adoram,
essas nunca em deixar-me pensaram!
Agora só tens que ser feliz,
livraste-te do fardo que era eu,
espero que encontres o caminho teu,
sorri, que isso eu sempre ver quis!

11/12/2005

Tuesday, April 18

CXCI

Fortius invernalis

Os dias vão ficando escuros
e os sentimentos mais puros,
à medida que me fazes falta,
meu amor, me fazes falta!
Na fé de estar junto a ti,
é nela que me refugio, quente,
protegido do gelo de te perder,
esquecido de como, sem ti, é viver!
E os dias passam todos os dias,
entre as ruínas de coisas idas
e as construções de coisas vindas,
é por te amar que surgem minhas alegrias!
Estou aqui, pensando no calor do teu coração
e tentando forçar a minha imaginação
a me mostrar mais real o estar abraçado,
nos teus braços, qual teia de aranha, enredado!
E a chuva que não cai lá fora
sabe bem o quão inútil é agora
tentar ferir-me com o seu veneno,
porque forte, pelo amor, estou pleno!
Era preciso o universo se rebelar
e mesmo assim não seria capaz de derrubar
o colosso de diamante que sou eu,
agora que tu, meu ursinho, és meu!
E venham as tempestades furiosas,
e venham os mares a bramir,
venham as entidades mais poderosas
que eu estarei cá para resistir,
porque mais forte que eu banhado em amor
não há, no universo, seja onde for!


08/11/2005

Monday, April 17

CXC

Simples saudade

E é neste dia chuvoso
que penso mais em ti,
penso no amor carinhoso
que temos para compartir!
Devemos ambos ter saudades,
daquelas que não se esgotam,
porque afinal estamos longe
e os braços não se tocam!
Eu sinto-te aqui, mas aí,
porque queria estar contigo,
meu amor, é assim por ti
o que sinto, tu és uno comigo.
Queria de novo explodir
de prazer, amor e emoção,
porque te vejo a entrar e sair
do meu corpo, promovendo a união
de nossos corpos em um só,
e chegando ao céu do amor,
das estrelas más apenas resta o pó!
Destruídas foram pelo amor
que um pelo outro consolidámos,
consumámos e iniciámos,
não lhes coube nada mais
que a evaporação, nada mais!
Eu quero viver a teu lado,
junto de ti, aprisionado
voluntariamente pelo teu carinho,
contigo não me sinto sozinho,
é do teu amor, do nosso amor
que respiro, ar que entra
nos pulmões do coração,
ele, aliviado, respira
e canta todos os dias em tua honra
uma bonita e doce canção,
é para ti, Fran, meu amor!


16/10/2005

Sunday, April 16

CLXXXIX

Ramorfan

É triste não poder exprimir
o quão feliz me estou a sentir,
porque aí o mundo veria
quão brilhante pode ser a luz do dia!
O amor por ti me reconfigura,
sinto-me a ter uma outra estrutura,
entendo a alegria extrema,
vivo com a força do coração, plena!
Dás-me mais do que já pedi
e menos do que ainda quero, de ti
tudo o que chega até mim
são rosas de cor carmim.
Carmim como o sangue,
que corre nas veias,
agora é a hora de
tecer como aranhas
as nossas bonitas teias!
Enrolar-me nos teus braços
e não pensar em mais nada,
deixar reforçar os laços
que me unem a ti, ursinho,
aquele que és e mais nada.
Pensava não poder exprimir
tudo aquilo que hoje sinto,
mas afinal é fácil deixar sair
tudo o que do coração flui,
essa é a verdade, te amo muito.


26/09/2005

Saturday, April 15

CLXXXVIII

Casos de jejum

Há casos em que me sinto
oprimido pelo apertado cinto
da pressão social, que me faz
sentir como um vulgar rapaz.
Há casos em que não valho nada,
em que algo de acção desejada
se esfuma na preguiça instalada,
e eu, com a vista, na vida parada.
No entanto, ela melhora agora,
tenho o meu ursinho Fran,
não podia pedir mais, embora
ainda não tenha acordado abraçado a ele,
numa linda, alva, doce manhã!
Ele faz-me falta, necessito do
seu abraço aconchegante, do
seu beijo apaixonado, do
amor que ele tem por mim!
A distância dos dias
não é demasiada, apenas
incomoda, porque queremos
os dois rebolar na paixão,
nos imensos campos de flores
coloridas de cada coração,
um e outro, juntos como um,
batendo compassadamente,
calma, mas apaixonadamente,
ó meu ursinho, meu amor,
não me deixes sem o sabor
do pão que é teu corpo, nunca
me deixes da tua alma em jejum!


18/09/2005

Friday, April 14

CLXXXVII

Se a vida gira e roda
qual fita larga de filme,
então porque insisto que fique
tudo igual, se vá tudo embora?
Quando me auto-analiso agora,
há coisas que entendo facilmente,
outras que há gente que as adora,
ainda umas que batem de frente
com os princípios, vaga aurora
que povoa a consciência-mente!
E sou levado a pensar que sou
menos do que julgava ser, mas
sempre é mais o que dou
e sempre guardo nas memórias
os beijos, carícias, abraços, fodas,
o que, até hoje, comigo se passou!


25/08/2005

Thursday, April 13

CLXXXVI

M-NARF

Neste dia pude perceber como
a vida é capaz de trazer
coisas tão boas, tais como
aquelas que te dão prazer!
Mas não foi apenas isso hoje,
foi captar paz e interiorizar
que aquilo que se passou hoje
ficará na memória, não dá para apagar!
Adorei poder ter estado contigo,
disfrutar de alma e corpo de ti,
estar deitado na cama contigo
foi onde, envolto em alegria, me perdi!
Razão tinha eu em querer ver-te,
sei que nunca vou poder ter-te,
mas também não era isso que eu
desejava, quero ver-te feliz com o teu!
Folhada a superfície do teu corpo,
pelo-folha te cobria por todo ele,
senti-me protegido, estando pele com pele,
não há mais a dizer, gordi, te quiero!

17/08/2005

Wednesday, April 12

CLXXXV

Numa tarde de lua quase cheia,
o vitelo mamava na sua teta favorita,
deixando a sua vaca mãe bonita
contente, feliz, satisfeita!
Ela, que o deixava mamar
sem pressa, abanava a cabeça
em sinal de assentimento e,
de vez em quando, soltava um
gemido, do prazer de ver
seu vitelo a sua teta chupar.
Ele espera voltar a vê-la,
à mãe vaca e à sua teta,
para poder mamar leite mais,
para saber o que é bom na vida,
para atingir prazeres totais,
não quer, de modo algum, perdê-la!

16/08/2005

Tuesday, April 11

CLXXXIV

E a areia vinha em direcção
a mim, como onda branca granular,
dizendo-me que sim, é possível voar
para os braços de quem tem teu coração!
No entanto, e mesmo na praia,
local precioso, mágico, excitante,
é possível ficar sozinho, não saia
da toca o coelho que mais quero!
As micas brilham em consolo
e eu pensando em estar tranquilo,
naquele tão desejado fofo colo!
Tentei a minha sorte neste dia,
ia sendo sem remorsos agredido,
mas o que realmente dói todavia
é a mágoa de sozinho isto ter vivido!

30/07/2005

Monday, April 10

CLXXXIII

Rua da alma, só esta mesmo,
vazia e calma, como um ermo,
sonhava distante, pensando em ti,
voava constante, sentindo-me assim!
Não escrevo a vida, mas tento
escrever o coração que tenho,
o meu que te dou sempre,
aquele que é teu, presente!
É escassa a onda forte
que não rebente em terra,
como escassa é a sorte
minha, nesta romântica guerra!
Mas não perco o ânimo,
nem perco o doce carinho
que guardo com destino
de to dar um dia, meu fofinho!
Não sei para quem escrevo isto,
mas ele decerto me encontrará
e todo um momento me abraçará!

30/07/2005

Sunday, April 9

CLXXXII

Provas torpedo

Provas fúteis de que há memória,
é do que é, será e foi feita a história,
mas eu sei que não tens toda culpa,
que a vida prega partidas que não
esperas, que nunca a tua mente
pensava descobrir, nunca descubra!
Completa as peças diárias da vida,
como se não houvesse a fúria devida,
como se a calma ficasse esquecida
onde nunca talvez quisesse
ficar, pobre ela, ali envolvida!
Talvez necessites de gritar mais,
ou que a vida te ajude mais,
ou que os sentimentos se tornem mais
claros, todavia no zoo os animais
se assustam com os visitantes mais
do que com as feras, ferozes mais!

08/07/2005

Saturday, April 8

CLXXXI

Trovão-raiva

Quando há alturas de tensão,
não há como não explodir,
bomba forte, dura, quente,
é o que se mete na gente
quando há alturas de tensão!
Guarda a energia em ti, agora,
mas não deixes de prever antes
que da raiva não se sente a demora,
ela vem como se nunca tivesse ido
e a mágoa que sentes depois
é apenas a face visível do prurido.
Pondera os gestos e aí vais saber
o que estou, agora, a tentar dizer,
mas, por mim, tu não deixes de ser,
que o melhor da vida é viver!

08/07/2005

Friday, April 7

CLXXX

Ondas internas

Tal como as ondas do rio,
as minhas emoções dançam soltas,
sentindo-me perto da viagem.
Só falta adquirir a passagem,
pobres emoções, flutuam loucas
eu espero por ti, para te ter mio!
Sei que te vou ter, já perto,
a estrada que me levará aí
não terá nada a ver
com o que vivo no dia-a-dia,
não é presente assim o deserto!
Escrevo isto a andar, a letra
sai torta, mas o que nunca
a emoção por ti, morta!

05/07/2005

Thursday, April 6

CLXXIX

Sopra o vento interior

Vento na minha derme,
tão fundo chegas em mim,
superas a camada superficial,
és, de todos modos, sem igual!
E tortura imperdoável
é a de manter longe, sim,
tudo o que sonhei até agora,
vivendo amando, indiscutível!
Não te vejo como um verme,
destino impiedoso, duro, vil,
mas não há dúvidas, ganharias
mais se comigo fosses gentil!
Assim vejo-me forçado
a derrotar as tuas cavalarias,
infantarias, exércitos, armadas,
vingança fútil de almas danadas
como a minha, que te desacredita
sempre, hoje, porque incita
ao desrespeito por ti, malvado!
Peço-te que me mostres
casamento ou divórcio,
com anel ou solteiro estou,
mas nunca menos lhe dou,
quem merece, tu, honras recebe,
não há espaço para o remorso!
Vive, amigo d'outrora meu,
encanta esse mundo de breu
e com a luz que não se apaga,
transforma em paz a mor praga!
Quando as palavras querem sair,
não no mundo há que as contenha,
nem dos altos mundos o vizir,
nem dos baixos mundos a desdenha!

01/06/2005

Wednesday, April 5

CLXXVIII

Vida louca, cansaço

Como pode da doença a insanidade
revelar-se uma fonte constante
e rotineira de sofrimento e
loucura, completa dor intensa!
Ela sofre com a situação e eu,
como posso agir, tudo o que possa fazer
não ajuda em nada, continua a correr
esse líquido diário de fel!
Por favor, que seja resolvida
essa questão, em prole da vida
da minha mãe mais querida,
precisa de ser libertada, desprendida!
Ninguém dá valor ao que eu faço,
diz ela em desespero por esse momento viver,
mas a verdade é que ninguém pode esquecer
o tudo que ela fez, faz e fará, cansaço!

20/05/2005

Tuesday, April 4

CLXXVII

Amese

A vida anda à roda,
e a roda que gira no peito
enrola-se de um jeito
que nem eu entendo, que foda!
Mas tudo bem, eu vivo,
descrevo um círculo semi-aberto,
entendo que feliz estou perto
de ser, tendo ou não meu abrigo!
E agora que penso em avançar,
não chega a coragem para lançar
um grito de raiva, fúria, ira
para com o ciclo que hoje termina!
Sempre acreditei que evitaria
indecisões maiores, graves, imensas,
para longe delas contigo fugiria!
E agora fiquei sozinho, comigo...

10/05/2005

Monday, April 3

CLXXVI

ADPJ

Ao ouvir poéticos mortos,
eis que surgem ganas de escrever.
Que faço eu? Simples,
pego na caneta e começo a verter
emoções borbulhantes do meu ser.
E eis que entendo a razão
que me levou à rápida decisão
de estar com vós, contigo, em Vigo!
Há momentos n'os quais
impulsos nos levam a realizar
acções julgadas loucas p'los demais!
E depois de concretizadas
essas tarefas, proezas, provas,
a vida flui de cada veia
como se fizesse falta
deixar sair, libertar
a torrente de luz, cheia
de bons sentimentos.
Agradeço-vos de coração,
porque em dois dias me
elevaram os pés do chão!
Há momentos n'os quais
a pressão interna é tanta
que enche os vasos da garganta
e quase sai um grito
de vitória, louco de glória
por haver vivido momentos
tão, mas muito, especiais!

30/05/2005

Sunday, April 2

CLXXV

Pedras

Por acaso se quebrou o cristal
e em pedaços cintilantes o senti quebrar,
é a falta de luz a reflectir,
é a central do amor a falhar!
E a vida que viria de ti
é aquela que me resume a sobreviver,
e os sonhos que surgem quando não os desejo
são imagens que não se podem reter!
D'onde saíu esta nuvem negra em mim,
decerto daquele buraco que se abriu carmim
no meu coração insistentemente instável,
por favor, façam com que bata saudável!
Ritmo extasiante tinha ontem, o perdi
hoje, visto que, ao pensar em ti,
imagino que te magoe a minha ausência
e a mim a tua demorada falta de presença!
Acordo agora agoniado de um sono acordado
e vejo que ainda aqui não chegaste,
não sei que fazer, se há quem te afaste
de mim, de nós, de tudo o que foi sonhado!
Solitário, por decisão e por circunstância,
perservero na minha única certeza imediata,
não solto a corda deste amor por nada,
não cairá do precipício, nem pela distância!

10/02/2005

Saturday, April 1

CLXXIV

Pomo

Colhendo frutos
fui te encontrar
doce, suculenta
no pomar da paixão.
O tempo estava bom,
mas chovia.
Seriam lágrimas
ou puro suor?
Suor seria,
o conjunto esforço
assim o causou.
Depois da suprema elevação
só quero pegar no coração
e esvaziar seu conteúdo em tua alma
para que inundada estejas
pelo meu hercúleo amor,
o qual arde para sempre.
Colhendo frutos
doces e suculentos
fui te encontrar
no vale da solidão.
Cinzenta parecias
e o sol brilhava.
Seriam sorrisos
ou farpas aguçadas?
Sorriso nunca,
ambiente tenso
jamais os criaria.
Nesse choro visível
estarias em eterno
se eu, movido pelo Fado,
aí não chegasse.
Voltei e tu,
onde estás?

Friday, March 31

CLXXIII

Floresta dicotómica

Por entre os pinheiros
procurava uma flor,
querida e doce
como se fosse minha.
Chorando por não te ter
só podia imaginar
apenas um final para
este infindável amar.
Suicídio?
Não, seria demasiado veloz
para apagar dor tão atroz.
Estranha talvez ela fosse
ou tu assim me achasses.
Doidos deslizam na estrada
tal como a dor de amor causada!
Quantidade em demasia
extrai vital capacidade
que é a habilidade
de amor e ser amado.
Quem ama diz que
possui a chama,
quem é amado diz que
não há mais celeste estado!
E, no fim de tanta ilusão,
só resta uma paixão
que, de tão fraca,
nem uma pedra move.

Thursday, March 30

CLXXII

Fora de ordem

Quando do rosto
a expressão está fechada,
é a dureza que resta
nessa alma magoada.
Isto faz-me pensar
quão fácil é ferir
a pessoa que vive a vida.
Difícil perguntar
o que está a magoar,
difícil consolar
quem quer seu coração ocultar.
A personalidade que recusa
entrar em sociedade confusa,
querendo, talvez, fugir
a quem a dor quer medir,
a que sente no momento
em que a vida lhe traz,
fria, o pior das coisas más.
Furtando-se ao terror
de enfrentar o seu amor,
refugia-se na concha sagrada
e procura, talvez, encontrar
a morte há tanto desejada.
Surge, de súbito, um anjo
de alva pele e olhos doces
que o redime de tudo
o que ele se culpa.
Ele fala em dor,
ela fala em alegria.
Ela fala de amor
e ele vê nascer o dia...

Wednesday, March 29

CLXXI

Lágrimas que caem

Os dias da decisão chegarão
e não precisarei de pedir perdão
a ninguém, porque a minha acção
apenas será a do coração!
Que culpa maior é esta que sinto,
mas porquê, se eu não minto,
quero dizer a verdade e consinto
que tapes os ouvidos, puro instinto!
Mas, querida, ouve-me apenas,
que será benéfico, acenas
a um mundo irreal, apenas
tornas difíceis todas as cenas
desta peça que é a nossa vida,
agora separada será a vida
de nós dois, mãe e criança parida
serão dois, mãe e criança crescida!
Vou embora, sabes bem que não queria
magoar-te, porque de noite e de dia
sei que pensas em mim com carinho
e vais sentir a minha falta no caminho
tortuoso de viver, sem mim, teu filhinho,
que disseste, brincando, ter vindo por engano,
se não duvidares nunca do quanto te amo,
saberás que nunca te abandonarei, levanto a mano!

11/12/2004

Tuesday, March 28

CLXX

8ctet

O meu guarda-chuva
de ansiedade está encharcado,
é o que acontece quando algo
está para acontecer comigo,
importante na minha vida curta!
Corajoso e paciente sou intimado
a aprender a ser, caso contrário
para a roupa se fechará o armário
e a saída pacífica de onde estou
é aquela que se perdeu, se abortou!
Todavia, isso não é aceitável,
eu sou carneiro selvagem indomável
que segue em frente com marradas,
quem não queira ser atropelado
saia da frente ou aguente as pancadas!
Ela pensa que, por eu não falar,
isso me impedirá de partir,
mas não podia estar mais enganada,
isso só fará com que doa mais ouvir
os vocábulos definitivos que irei pronunciar!
Todavia, com ela triste não queria sair,
porque algumas forças se necessitam
para tudo aquilo que há-de vir,
no entanto, nada temo porque terei a meu lado
a alma e corpo que todos males, por mim, enfrentam!

01/12/2004

Monday, March 27

CLXIX

Partida dura

São as coisas que não trespassam
nem numa palavra nem em duas,
são as coisas que ultrapassam
a verdade das superfícies nuas!
São coisas difíceis de arrancar de dentro,
coisas que se sentem agora, neste momento
apenas quero te dizer, querida mãe,
que do amor eterno forte sou refém!
Por isso, terei que ir embora deste lar,
a minha casa deixará de ser esta tua,
tenho que viver noutro belo lugar,
onde possa meu homem beijar e ir com ele à lua!
Mas sinto que te irei magoar muito ao dizer
tudo aquilo que necessitas de saber,
porque no fundo eu te entendo como ninguém,
fogo do meu fogo contra a água, minha mãe!
Olha, passará mais um dia e tu ainda estarás
ignorante do rio de verdade que corre detrás
dos montes aparentes do continente que é a tua vida,
mas é certo que saberás antes do momento de partida!

28/11/2004

Sunday, March 26

CLXVIII

Se chover mais

Aqui te esperava entre mantas,
pronto para te dizer em voz carinhosa,
tu, meu gordito, de perto de mim
não sairás nunca mais, jamais
digas que desta cama sem mim te levantas!
Este é um dia chuvoso,
o vale de água derrama de cima,
eu vejo como um reduto a cama
onde me sinto sempre confortável,
quero mostrar-te o quão sou carinhoso!
Quero isto e quero aquilo,
mas o meu desejo é estar contigo,
agora, amanhã, na vida,
mexe-me suave e doce no umbigo
e eu beijarei essa tua boca atrevida!
Agora irei descansar,
pois fraco não quero ficar,
mas acordarei e esperarei por ele,
para estarmos juntos, pele com pele!

27/11/2004

Saturday, March 25

CLXVII

6 + 1 = 10

Se há momentos na existência
em que não há indecisão, não,
este é um deles, clássico
amor entre dois homens,
quem mais manda é o coração,
agora tenta perceber o que tens!
Se te falta algo do género,
não desanimes, que eu sou sortudo,
só por tal digo que tenho tudo,
caso contrário estaria nesse barco,
se calhar te encontraria, convidaria
para uma noite ou mais num quarto!
No entanto, não te posso convidar,
visto que com a traição eu não vou pactuar,
essa moda das tais relações abertas,
mas calma, depois disto lerem, poupem
trabalho e, por isso não me crucifiquem
por querer ter apenas um sob as cobertas!
Já sei quem é esse, chama-se Nicolas,
excelente nome, que com mel soa a meus ouvidos,
pensas nele, vês que o tocas com dez sentidos,
ele é meu, vai procurar outro, sai
de cena, a tua participação é curta
no romance que tenho com o amor meu!

19/11/2004

Friday, March 24

CLXVI

Ignoratis

Se te sentires ignorado,
esquece, vive, desaparece,
coloca o que pensas em sinal aberto,
para poderes ter a descoberto
o sentimento do mal-amado!
Sentes-te só, ninguém tem dó,
peninha de ti, tonto como só tu,
pobrezinho do rapaz, tu,
olha, não te esqueças de esquecer
aquilo que te atormenta, já a viver!
Pensa no teu amor, ele é teu,
não é nenhuma ilusão,
apesar de haver quem diga que não,
esquece, vive, aparece
ao teu gordito do coração!
Sigo sem entender os motivos,
porque foges de mim, esquivos
os teus movimentos de fuga,
é sempre uma eterna procura,
mas tu te escapas sempre!
Então eu me deito na cama
que me acolhe hospitaleira,
não é boa conselheira,
mas ao menos faz-me companhia
enquanto durmo, almofada macia
que me afaga o rosto, me iludindo
enquanto cego surdo e mudo vou dormindo!

26/10/2004

Thursday, March 23

CLXV

Eu vs. T.E.M.P.O.

Quando a janela se abre,
entra o sol e entra a lua,
mas ainda não entrou a tua
presença na vida, não ainda!
Com ansiedade te me espero,
ver a doçura no teu rosto doce,
ter em teus meus olhos como se fosse
vidro o material que constitui teu olhar!
Mas vidro é frio e o calor
que sinto quando contigo
não combinam com esse artigo,
criado a partir de areia e algo mais!
A areia da ampulheta vai descendo,
mas com um ritmo tão desacelerado
que eu penso que o tempo me tem torturado,
vil bandido ele é, mas eu sou melhor, mais forte!
Aguento as tuas partidas e sabotagens,
tu que criado p'los homens foste, sim,
tu que me atormentas com teu andar lento,
ansioso e expectante tu me queres ver enfim...

17/11/2004

Wednesday, March 22

CLXIV

La loca

Muitos conhecem a loucura
como um estado natural demente,
mas quem não a conheça pura,
não a pode cumprimentar, jamais!
Chamá-la pelo nome, como amigo,
é coisa difícil de realizar,
sendo, se mantendo de mente sã
a pessoa que a levar consigo...
Conviver com tal entidade
é, no entanto, interessante,
porque ela te dá total liberdade,
fica cheio o pensamento esvoaçante,
sentes súbita necessidade
de meter vocábulos no papel,
na folha que tens, de ti, adiante!
Muitas vezes a gente
te denomina de incompetente,
mas é porque não entende
tudo o que o je vende,
tudo o que sai da caneta,
aquela rasca com que escrevo
tudo o que me apetece!
Se vais criticar o escrito,
força, fá-lo agora,
mas olha que a demora
em encontrar argumentos
para deitar abaixo
é apenas uma das coisas
que eu noto em ti,
pobre insecto rastejante
que, com o mindinho, esborracho!


19/10/2004

Tuesday, March 21

CLXIII

Memórias e tu

Tenho boas memórias,
daquelas que nunca vão,
memórias guardadas, histórias
depicturadas no meu coração!
Vêm sempre que eu estou só,
com os meus pensamentos,
e eu imagino o que acontece
agora, com esses elementos!
Penso muito mais, contudo,
no quanto eu sou sortudo,
por ter o meu gordito,
embora esteja longe in situ,
ele é parte essencial do que vivo,
constitui o meu objectivo
ir ter contigo, meu amor,
para sentir do teu corpo o sabor!
E da tua alma o aroma,
saborear o nosso amor todos os dias,
viver as nossas muitas alegrias!
Quando deixar de te amar,
mesmo que isso não aconteça,
eu não quero mais estar
apaixonado por alguém que me mereça!
Tu és tudo o que eu quero, meu amor,
não preciso de mais na vida
que a tua presença querida
junto a mim, meu doce gordito,
ama-me sempre e eu sempre te amarei,
palavras cliché ditas com todo o fulgor!


28/09/2004