Floresta dicotómica
Por entre os pinheiros
procurava uma flor,
querida e doce
como se fosse minha.
Chorando por não te ter
só podia imaginar
apenas um final para
este infindável amar.
Suicídio?
Não, seria demasiado veloz
para apagar dor tão atroz.
Estranha talvez ela fosse
ou tu assim me achasses.
Doidos deslizam na estrada
tal como a dor de amor causada!
Quantidade em demasia
extrai vital capacidade
que é a habilidade
de amor e ser amado.
Quem ama diz que
possui a chama,
quem é amado diz que
não há mais celeste estado!
E, no fim de tanta ilusão,
só resta uma paixão
que, de tão fraca,
nem uma pedra move.
Friday, March 31
Thursday, March 30
CLXXII
Fora de ordem
Quando do rosto
a expressão está fechada,
é a dureza que resta
nessa alma magoada.
Isto faz-me pensar
quão fácil é ferir
a pessoa que vive a vida.
Difícil perguntar
o que está a magoar,
difícil consolar
quem quer seu coração ocultar.
A personalidade que recusa
entrar em sociedade confusa,
querendo, talvez, fugir
a quem a dor quer medir,
a que sente no momento
em que a vida lhe traz,
fria, o pior das coisas más.
Furtando-se ao terror
de enfrentar o seu amor,
refugia-se na concha sagrada
e procura, talvez, encontrar
a morte há tanto desejada.
Surge, de súbito, um anjo
de alva pele e olhos doces
que o redime de tudo
o que ele se culpa.
Ele fala em dor,
ela fala em alegria.
Ela fala de amor
e ele vê nascer o dia...
Quando do rosto
a expressão está fechada,
é a dureza que resta
nessa alma magoada.
Isto faz-me pensar
quão fácil é ferir
a pessoa que vive a vida.
Difícil perguntar
o que está a magoar,
difícil consolar
quem quer seu coração ocultar.
A personalidade que recusa
entrar em sociedade confusa,
querendo, talvez, fugir
a quem a dor quer medir,
a que sente no momento
em que a vida lhe traz,
fria, o pior das coisas más.
Furtando-se ao terror
de enfrentar o seu amor,
refugia-se na concha sagrada
e procura, talvez, encontrar
a morte há tanto desejada.
Surge, de súbito, um anjo
de alva pele e olhos doces
que o redime de tudo
o que ele se culpa.
Ele fala em dor,
ela fala em alegria.
Ela fala de amor
e ele vê nascer o dia...
Wednesday, March 29
CLXXI
Lágrimas que caem
Os dias da decisão chegarão
e não precisarei de pedir perdão
a ninguém, porque a minha acção
apenas será a do coração!
Que culpa maior é esta que sinto,
mas porquê, se eu não minto,
quero dizer a verdade e consinto
que tapes os ouvidos, puro instinto!
Mas, querida, ouve-me apenas,
que será benéfico, acenas
a um mundo irreal, apenas
tornas difíceis todas as cenas
desta peça que é a nossa vida,
agora separada será a vida
de nós dois, mãe e criança parida
serão dois, mãe e criança crescida!
Vou embora, sabes bem que não queria
magoar-te, porque de noite e de dia
sei que pensas em mim com carinho
e vais sentir a minha falta no caminho
tortuoso de viver, sem mim, teu filhinho,
que disseste, brincando, ter vindo por engano,
se não duvidares nunca do quanto te amo,
saberás que nunca te abandonarei, levanto a mano!
11/12/2004
Os dias da decisão chegarão
e não precisarei de pedir perdão
a ninguém, porque a minha acção
apenas será a do coração!
Que culpa maior é esta que sinto,
mas porquê, se eu não minto,
quero dizer a verdade e consinto
que tapes os ouvidos, puro instinto!
Mas, querida, ouve-me apenas,
que será benéfico, acenas
a um mundo irreal, apenas
tornas difíceis todas as cenas
desta peça que é a nossa vida,
agora separada será a vida
de nós dois, mãe e criança parida
serão dois, mãe e criança crescida!
Vou embora, sabes bem que não queria
magoar-te, porque de noite e de dia
sei que pensas em mim com carinho
e vais sentir a minha falta no caminho
tortuoso de viver, sem mim, teu filhinho,
que disseste, brincando, ter vindo por engano,
se não duvidares nunca do quanto te amo,
saberás que nunca te abandonarei, levanto a mano!
11/12/2004
Tuesday, March 28
CLXX
8ctet
O meu guarda-chuva
de ansiedade está encharcado,
é o que acontece quando algo
está para acontecer comigo,
importante na minha vida curta!
Corajoso e paciente sou intimado
a aprender a ser, caso contrário
para a roupa se fechará o armário
e a saída pacífica de onde estou
é aquela que se perdeu, se abortou!
Todavia, isso não é aceitável,
eu sou carneiro selvagem indomável
que segue em frente com marradas,
quem não queira ser atropelado
saia da frente ou aguente as pancadas!
Ela pensa que, por eu não falar,
isso me impedirá de partir,
mas não podia estar mais enganada,
isso só fará com que doa mais ouvir
os vocábulos definitivos que irei pronunciar!
Todavia, com ela triste não queria sair,
porque algumas forças se necessitam
para tudo aquilo que há-de vir,
no entanto, nada temo porque terei a meu lado
a alma e corpo que todos males, por mim, enfrentam!
01/12/2004
O meu guarda-chuva
de ansiedade está encharcado,
é o que acontece quando algo
está para acontecer comigo,
importante na minha vida curta!
Corajoso e paciente sou intimado
a aprender a ser, caso contrário
para a roupa se fechará o armário
e a saída pacífica de onde estou
é aquela que se perdeu, se abortou!
Todavia, isso não é aceitável,
eu sou carneiro selvagem indomável
que segue em frente com marradas,
quem não queira ser atropelado
saia da frente ou aguente as pancadas!
Ela pensa que, por eu não falar,
isso me impedirá de partir,
mas não podia estar mais enganada,
isso só fará com que doa mais ouvir
os vocábulos definitivos que irei pronunciar!
Todavia, com ela triste não queria sair,
porque algumas forças se necessitam
para tudo aquilo que há-de vir,
no entanto, nada temo porque terei a meu lado
a alma e corpo que todos males, por mim, enfrentam!
01/12/2004
Monday, March 27
CLXIX
Partida dura
São as coisas que não trespassam
nem numa palavra nem em duas,
são as coisas que ultrapassam
a verdade das superfícies nuas!
São coisas difíceis de arrancar de dentro,
coisas que se sentem agora, neste momento
apenas quero te dizer, querida mãe,
que do amor eterno forte sou refém!
Por isso, terei que ir embora deste lar,
a minha casa deixará de ser esta tua,
tenho que viver noutro belo lugar,
onde possa meu homem beijar e ir com ele à lua!
Mas sinto que te irei magoar muito ao dizer
tudo aquilo que necessitas de saber,
porque no fundo eu te entendo como ninguém,
fogo do meu fogo contra a água, minha mãe!
Olha, passará mais um dia e tu ainda estarás
ignorante do rio de verdade que corre detrás
dos montes aparentes do continente que é a tua vida,
mas é certo que saberás antes do momento de partida!
28/11/2004
São as coisas que não trespassam
nem numa palavra nem em duas,
são as coisas que ultrapassam
a verdade das superfícies nuas!
São coisas difíceis de arrancar de dentro,
coisas que se sentem agora, neste momento
apenas quero te dizer, querida mãe,
que do amor eterno forte sou refém!
Por isso, terei que ir embora deste lar,
a minha casa deixará de ser esta tua,
tenho que viver noutro belo lugar,
onde possa meu homem beijar e ir com ele à lua!
Mas sinto que te irei magoar muito ao dizer
tudo aquilo que necessitas de saber,
porque no fundo eu te entendo como ninguém,
fogo do meu fogo contra a água, minha mãe!
Olha, passará mais um dia e tu ainda estarás
ignorante do rio de verdade que corre detrás
dos montes aparentes do continente que é a tua vida,
mas é certo que saberás antes do momento de partida!
28/11/2004
Sunday, March 26
CLXVIII
Se chover mais
Aqui te esperava entre mantas,
pronto para te dizer em voz carinhosa,
tu, meu gordito, de perto de mim
não sairás nunca mais, jamais
digas que desta cama sem mim te levantas!
Este é um dia chuvoso,
o vale de água derrama de cima,
eu vejo como um reduto a cama
onde me sinto sempre confortável,
quero mostrar-te o quão sou carinhoso!
Quero isto e quero aquilo,
mas o meu desejo é estar contigo,
agora, amanhã, na vida,
mexe-me suave e doce no umbigo
e eu beijarei essa tua boca atrevida!
Agora irei descansar,
pois fraco não quero ficar,
mas acordarei e esperarei por ele,
para estarmos juntos, pele com pele!
27/11/2004
Aqui te esperava entre mantas,
pronto para te dizer em voz carinhosa,
tu, meu gordito, de perto de mim
não sairás nunca mais, jamais
digas que desta cama sem mim te levantas!
Este é um dia chuvoso,
o vale de água derrama de cima,
eu vejo como um reduto a cama
onde me sinto sempre confortável,
quero mostrar-te o quão sou carinhoso!
Quero isto e quero aquilo,
mas o meu desejo é estar contigo,
agora, amanhã, na vida,
mexe-me suave e doce no umbigo
e eu beijarei essa tua boca atrevida!
Agora irei descansar,
pois fraco não quero ficar,
mas acordarei e esperarei por ele,
para estarmos juntos, pele com pele!
27/11/2004
Saturday, March 25
CLXVII
6 + 1 = 10
Se há momentos na existência
em que não há indecisão, não,
este é um deles, clássico
amor entre dois homens,
quem mais manda é o coração,
agora tenta perceber o que tens!
Se te falta algo do género,
não desanimes, que eu sou sortudo,
só por tal digo que tenho tudo,
caso contrário estaria nesse barco,
se calhar te encontraria, convidaria
para uma noite ou mais num quarto!
No entanto, não te posso convidar,
visto que com a traição eu não vou pactuar,
essa moda das tais relações abertas,
mas calma, depois disto lerem, poupem
trabalho e, por isso não me crucifiquem
por querer ter apenas um sob as cobertas!
Já sei quem é esse, chama-se Nicolas,
excelente nome, que com mel soa a meus ouvidos,
pensas nele, vês que o tocas com dez sentidos,
ele é meu, vai procurar outro, sai
de cena, a tua participação é curta
no romance que tenho com o amor meu!
19/11/2004
Se há momentos na existência
em que não há indecisão, não,
este é um deles, clássico
amor entre dois homens,
quem mais manda é o coração,
agora tenta perceber o que tens!
Se te falta algo do género,
não desanimes, que eu sou sortudo,
só por tal digo que tenho tudo,
caso contrário estaria nesse barco,
se calhar te encontraria, convidaria
para uma noite ou mais num quarto!
No entanto, não te posso convidar,
visto que com a traição eu não vou pactuar,
essa moda das tais relações abertas,
mas calma, depois disto lerem, poupem
trabalho e, por isso não me crucifiquem
por querer ter apenas um sob as cobertas!
Já sei quem é esse, chama-se Nicolas,
excelente nome, que com mel soa a meus ouvidos,
pensas nele, vês que o tocas com dez sentidos,
ele é meu, vai procurar outro, sai
de cena, a tua participação é curta
no romance que tenho com o amor meu!
19/11/2004
Friday, March 24
CLXVI
Ignoratis
Se te sentires ignorado,
esquece, vive, desaparece,
coloca o que pensas em sinal aberto,
para poderes ter a descoberto
o sentimento do mal-amado!
Sentes-te só, ninguém tem dó,
peninha de ti, tonto como só tu,
pobrezinho do rapaz, tu,
olha, não te esqueças de esquecer
aquilo que te atormenta, já a viver!
Pensa no teu amor, ele é teu,
não é nenhuma ilusão,
apesar de haver quem diga que não,
esquece, vive, aparece
ao teu gordito do coração!
Sigo sem entender os motivos,
porque foges de mim, esquivos
os teus movimentos de fuga,
é sempre uma eterna procura,
mas tu te escapas sempre!
Então eu me deito na cama
que me acolhe hospitaleira,
não é boa conselheira,
mas ao menos faz-me companhia
enquanto durmo, almofada macia
que me afaga o rosto, me iludindo
enquanto cego surdo e mudo vou dormindo!
26/10/2004
Se te sentires ignorado,
esquece, vive, desaparece,
coloca o que pensas em sinal aberto,
para poderes ter a descoberto
o sentimento do mal-amado!
Sentes-te só, ninguém tem dó,
peninha de ti, tonto como só tu,
pobrezinho do rapaz, tu,
olha, não te esqueças de esquecer
aquilo que te atormenta, já a viver!
Pensa no teu amor, ele é teu,
não é nenhuma ilusão,
apesar de haver quem diga que não,
esquece, vive, aparece
ao teu gordito do coração!
Sigo sem entender os motivos,
porque foges de mim, esquivos
os teus movimentos de fuga,
é sempre uma eterna procura,
mas tu te escapas sempre!
Então eu me deito na cama
que me acolhe hospitaleira,
não é boa conselheira,
mas ao menos faz-me companhia
enquanto durmo, almofada macia
que me afaga o rosto, me iludindo
enquanto cego surdo e mudo vou dormindo!
26/10/2004
Thursday, March 23
CLXV
Eu vs. T.E.M.P.O.
Quando a janela se abre,
entra o sol e entra a lua,
mas ainda não entrou a tua
presença na vida, não ainda!
Com ansiedade te me espero,
ver a doçura no teu rosto doce,
ter em teus meus olhos como se fosse
vidro o material que constitui teu olhar!
Mas vidro é frio e o calor
que sinto quando contigo
não combinam com esse artigo,
criado a partir de areia e algo mais!
A areia da ampulheta vai descendo,
mas com um ritmo tão desacelerado
que eu penso que o tempo me tem torturado,
vil bandido ele é, mas eu sou melhor, mais forte!
Aguento as tuas partidas e sabotagens,
tu que criado p'los homens foste, sim,
tu que me atormentas com teu andar lento,
ansioso e expectante tu me queres ver enfim...
17/11/2004
Quando a janela se abre,
entra o sol e entra a lua,
mas ainda não entrou a tua
presença na vida, não ainda!
Com ansiedade te me espero,
ver a doçura no teu rosto doce,
ter em teus meus olhos como se fosse
vidro o material que constitui teu olhar!
Mas vidro é frio e o calor
que sinto quando contigo
não combinam com esse artigo,
criado a partir de areia e algo mais!
A areia da ampulheta vai descendo,
mas com um ritmo tão desacelerado
que eu penso que o tempo me tem torturado,
vil bandido ele é, mas eu sou melhor, mais forte!
Aguento as tuas partidas e sabotagens,
tu que criado p'los homens foste, sim,
tu que me atormentas com teu andar lento,
ansioso e expectante tu me queres ver enfim...
17/11/2004
Wednesday, March 22
CLXIV
La loca
Muitos conhecem a loucura
como um estado natural demente,
mas quem não a conheça pura,
não a pode cumprimentar, jamais!
Chamá-la pelo nome, como amigo,
é coisa difícil de realizar,
sendo, se mantendo de mente sã
a pessoa que a levar consigo...
Conviver com tal entidade
é, no entanto, interessante,
porque ela te dá total liberdade,
fica cheio o pensamento esvoaçante,
sentes súbita necessidade
de meter vocábulos no papel,
na folha que tens, de ti, adiante!
Muitas vezes a gente
te denomina de incompetente,
mas é porque não entende
tudo o que o je vende,
tudo o que sai da caneta,
aquela rasca com que escrevo
tudo o que me apetece!
Se vais criticar o escrito,
força, fá-lo agora,
mas olha que a demora
em encontrar argumentos
para deitar abaixo
é apenas uma das coisas
que eu noto em ti,
pobre insecto rastejante
que, com o mindinho, esborracho!
19/10/2004
Muitos conhecem a loucura
como um estado natural demente,
mas quem não a conheça pura,
não a pode cumprimentar, jamais!
Chamá-la pelo nome, como amigo,
é coisa difícil de realizar,
sendo, se mantendo de mente sã
a pessoa que a levar consigo...
Conviver com tal entidade
é, no entanto, interessante,
porque ela te dá total liberdade,
fica cheio o pensamento esvoaçante,
sentes súbita necessidade
de meter vocábulos no papel,
na folha que tens, de ti, adiante!
Muitas vezes a gente
te denomina de incompetente,
mas é porque não entende
tudo o que o je vende,
tudo o que sai da caneta,
aquela rasca com que escrevo
tudo o que me apetece!
Se vais criticar o escrito,
força, fá-lo agora,
mas olha que a demora
em encontrar argumentos
para deitar abaixo
é apenas uma das coisas
que eu noto em ti,
pobre insecto rastejante
que, com o mindinho, esborracho!
19/10/2004
Tuesday, March 21
CLXIII
Memórias e tu
Tenho boas memórias,
daquelas que nunca vão,
memórias guardadas, histórias
depicturadas no meu coração!
Vêm sempre que eu estou só,
com os meus pensamentos,
e eu imagino o que acontece
agora, com esses elementos!
Penso muito mais, contudo,
no quanto eu sou sortudo,
por ter o meu gordito,
embora esteja longe in situ,
ele é parte essencial do que vivo,
constitui o meu objectivo
ir ter contigo, meu amor,
para sentir do teu corpo o sabor!
E da tua alma o aroma,
saborear o nosso amor todos os dias,
viver as nossas muitas alegrias!
Quando deixar de te amar,
mesmo que isso não aconteça,
eu não quero mais estar
apaixonado por alguém que me mereça!
Tu és tudo o que eu quero, meu amor,
não preciso de mais na vida
que a tua presença querida
junto a mim, meu doce gordito,
ama-me sempre e eu sempre te amarei,
palavras cliché ditas com todo o fulgor!
28/09/2004
Tenho boas memórias,
daquelas que nunca vão,
memórias guardadas, histórias
depicturadas no meu coração!
Vêm sempre que eu estou só,
com os meus pensamentos,
e eu imagino o que acontece
agora, com esses elementos!
Penso muito mais, contudo,
no quanto eu sou sortudo,
por ter o meu gordito,
embora esteja longe in situ,
ele é parte essencial do que vivo,
constitui o meu objectivo
ir ter contigo, meu amor,
para sentir do teu corpo o sabor!
E da tua alma o aroma,
saborear o nosso amor todos os dias,
viver as nossas muitas alegrias!
Quando deixar de te amar,
mesmo que isso não aconteça,
eu não quero mais estar
apaixonado por alguém que me mereça!
Tu és tudo o que eu quero, meu amor,
não preciso de mais na vida
que a tua presença querida
junto a mim, meu doce gordito,
ama-me sempre e eu sempre te amarei,
palavras cliché ditas com todo o fulgor!
28/09/2004
Monday, March 20
CLXII
Tempo a 2
Queria poder calar a voz
que, dentro de mim, receosa,
diz que tudo vai acabar,
que a felicidade não chega
a mim, guerreiro da rosa!
Mas só há um modo de o fazer,
ir contigo e aí viver,
partilhar a cama e emoções,
dias maus e dias bons,
caminho, juntos, a percorrer!
Tu me dás confiança,
porque mostras que me amas,
eu vivo na justa esperança
de dar-te tudo quanto mereças,
ser do teu peso a balança!
Neste momento, já faltou mais
tempo, o mês está a terminar,
com isso novo més virá e com ele
tu também a mim chegarás,
vamos fazer amor e nos amar!
É importante tudo o que fizermos,
mas nunca será mais importante que
o tempo que junto estivermos,
esse será o nosso merecido prémio,
esperemos que dure um inteiro milénio!
27/08/2004
Queria poder calar a voz
que, dentro de mim, receosa,
diz que tudo vai acabar,
que a felicidade não chega
a mim, guerreiro da rosa!
Mas só há um modo de o fazer,
ir contigo e aí viver,
partilhar a cama e emoções,
dias maus e dias bons,
caminho, juntos, a percorrer!
Tu me dás confiança,
porque mostras que me amas,
eu vivo na justa esperança
de dar-te tudo quanto mereças,
ser do teu peso a balança!
Neste momento, já faltou mais
tempo, o mês está a terminar,
com isso novo més virá e com ele
tu também a mim chegarás,
vamos fazer amor e nos amar!
É importante tudo o que fizermos,
mas nunca será mais importante que
o tempo que junto estivermos,
esse será o nosso merecido prémio,
esperemos que dure um inteiro milénio!
27/08/2004
Sunday, March 19
CLXI
Torpedo rápido
Quem me dera já poder estar
junto ao meu amor e ser capaz
de matar esse exército que luta comigo,
o exército da solidão,
que com a sua persistência
vai enchendo de descrença
a minha vida, esta que vivo!
No entanto, tudo muda para melhor,
isso é verdade, chegaste tu,
mostraste teus olhos e eu me apaixonei,
falaste a meus ouvidos e eu me emocionei,
pegaste no meu coração e eu deixei
que o meu amor por ti enchesse
a minha alma todos os dias,
como se estivesses nos meus braços,
como se me fizesses cócegas,
como se os dias não fossem frios!
Até agora tenho tido tempo,
mas, quando estiver contigo,
o tempo fugirá como se de mim
tivesse medo, será pouco, porque
nos vamos amar tanto, que a terra parará
o seu movimento circular,
e o gelo dos pólos derreterá,
porque o calor do amor
de que vamos dispor será maior
que tudo o que conheço,
ama-me hoje e sempre e eu
de respirar até me esqueço!
Por favor, que o tempo corra agora,
está a ser difícil para nós a demora,
porque o desejo de viver cada segundo,
construir ambos o nosso belo mundo,
comer e plantar a horta do nosso amor,
ser presa e em simultâneo predador,
é mais forte, agora e sempre, te amo!
27/08/2004
Quem me dera já poder estar
junto ao meu amor e ser capaz
de matar esse exército que luta comigo,
o exército da solidão,
que com a sua persistência
vai enchendo de descrença
a minha vida, esta que vivo!
No entanto, tudo muda para melhor,
isso é verdade, chegaste tu,
mostraste teus olhos e eu me apaixonei,
falaste a meus ouvidos e eu me emocionei,
pegaste no meu coração e eu deixei
que o meu amor por ti enchesse
a minha alma todos os dias,
como se estivesses nos meus braços,
como se me fizesses cócegas,
como se os dias não fossem frios!
Até agora tenho tido tempo,
mas, quando estiver contigo,
o tempo fugirá como se de mim
tivesse medo, será pouco, porque
nos vamos amar tanto, que a terra parará
o seu movimento circular,
e o gelo dos pólos derreterá,
porque o calor do amor
de que vamos dispor será maior
que tudo o que conheço,
ama-me hoje e sempre e eu
de respirar até me esqueço!
Por favor, que o tempo corra agora,
está a ser difícil para nós a demora,
porque o desejo de viver cada segundo,
construir ambos o nosso belo mundo,
comer e plantar a horta do nosso amor,
ser presa e em simultâneo predador,
é mais forte, agora e sempre, te amo!
27/08/2004
Saturday, March 18
CLX
Maria
Se a vida desaparecesse sempre assim,
como um sopro de brisa com sabor carmim,
era como se viver não importasse!
Calma, a passagem por aqui
tem de ser efémera, infelizmente,
mas quem é forte p'ra ir em frente,
que faça melhor do que o que fiz!
A escolha da vida é mais fácil
quando se tem algo p'lo qual viver,
um amor querido, família,
uma casa, lar doce onde morrer!
A melancolia não tem alojamento cá,
a tristeza nua e crua me ama agora,
casou comigo, ela feliz, muito embora
tenha que dela me divorciar e já!
Não seria justo que triste ficasse,
a honra da mulher humana que morreu
é muito maior, caso eu viva e a louve,
mas o que dizer, dessa horta, da couve
suculenta, forte, viçosa, que nasce quando morre!
A visão de mim já se foi,
há muito que já não era,
poderia ficar louco pensando
que fora de mim sem ela,
aquela que me curou quando dói!
Sempre te tive amor, tia,
mesmo quando não parecia,
mesmo quando não aparecia,
morra, como tu, a dor deste dia
e vivamos, contigo, sempre em harmonia!
01/07/2004
Se a vida desaparecesse sempre assim,
como um sopro de brisa com sabor carmim,
era como se viver não importasse!
Calma, a passagem por aqui
tem de ser efémera, infelizmente,
mas quem é forte p'ra ir em frente,
que faça melhor do que o que fiz!
A escolha da vida é mais fácil
quando se tem algo p'lo qual viver,
um amor querido, família,
uma casa, lar doce onde morrer!
A melancolia não tem alojamento cá,
a tristeza nua e crua me ama agora,
casou comigo, ela feliz, muito embora
tenha que dela me divorciar e já!
Não seria justo que triste ficasse,
a honra da mulher humana que morreu
é muito maior, caso eu viva e a louve,
mas o que dizer, dessa horta, da couve
suculenta, forte, viçosa, que nasce quando morre!
A visão de mim já se foi,
há muito que já não era,
poderia ficar louco pensando
que fora de mim sem ela,
aquela que me curou quando dói!
Sempre te tive amor, tia,
mesmo quando não parecia,
mesmo quando não aparecia,
morra, como tu, a dor deste dia
e vivamos, contigo, sempre em harmonia!
01/07/2004
Wednesday, February 1
CLIX
Onetuv
Os dias que me sobram
são para tentar estar contigo,
porque os outros necessito
de escapar da solidão!
No entanto, para não me sentir só,
tenho de te ter, meu amor,
o teu corpo que se enrola,
que se prende, que me faz suar
com a sua proximidade ao meu!
Esse é um sonho por realizar,
poder beijar, lamber o corpo teu,
encontrar nele a perdição,
perder nele a salvação!
Tenho a certeza que merecemos
esses momentos encarnados,
porque o amor que nos une
é forte, mais forte do que nós!
Uma atracção que inexplicável
explica tudo o que fazemos,
tudo o que lutamos para
estar juntos, completos na
solidão de sermos dois em um!
Viver de novo conseguirei,
no meu coração te terei,
visto que ninguém de mim
pode alguma vez te tirar,
já estás aqui, dans ma skin,
enches-me o copo de gin,
se gin eu quiser provar!
29/06/2004
Os dias que me sobram
são para tentar estar contigo,
porque os outros necessito
de escapar da solidão!
No entanto, para não me sentir só,
tenho de te ter, meu amor,
o teu corpo que se enrola,
que se prende, que me faz suar
com a sua proximidade ao meu!
Esse é um sonho por realizar,
poder beijar, lamber o corpo teu,
encontrar nele a perdição,
perder nele a salvação!
Tenho a certeza que merecemos
esses momentos encarnados,
porque o amor que nos une
é forte, mais forte do que nós!
Uma atracção que inexplicável
explica tudo o que fazemos,
tudo o que lutamos para
estar juntos, completos na
solidão de sermos dois em um!
Viver de novo conseguirei,
no meu coração te terei,
visto que ninguém de mim
pode alguma vez te tirar,
já estás aqui, dans ma skin,
enches-me o copo de gin,
se gin eu quiser provar!
29/06/2004
Tuesday, January 31
CLVIII
Olha amor
Olha, não consigo escrever,
isto é mal de poeta enamorado,
se enamorado não estivesse,
escrever seria mais fácil, mais que tudo!
Contudo, eu por ti amor tenho,
por isso me distrais das palavras,
concentro-me mais nos actos
que realizamos na cama, no sofá,
no chão, na praia, na rua,
enfim, demonstramos o nosso amor
enquanto, desavergonhada, a lua
espreita tudo com os seus olhos,
vê que nos amamos e o divulga
quando cheia brilha no escuro!
Não me apetece fazer rima,
nem daquela rasca, pequenina,
tenho-te a ti no pensamento,
requeres total empenho mental,
visto que sofres do mesmo mal
que eu, amamo-nos, n'é verdade?
E por nos amarmos, a vida é bela,
enquanto dura a época de cinderela,
qualquer dia é da varina dia
e por nos amarmos, a vida é fugidia!
Mas não me preocupo com isso,
quero viver contigo, e o reboliço
a que estou sujeito cá dentro
só prova que és importante,
só quem não me deixa indiferente
consegue ter-me inteiro total,
e tu me atrais como luz
para o insecto que sou afinal!
29/06/2004
Olha, não consigo escrever,
isto é mal de poeta enamorado,
se enamorado não estivesse,
escrever seria mais fácil, mais que tudo!
Contudo, eu por ti amor tenho,
por isso me distrais das palavras,
concentro-me mais nos actos
que realizamos na cama, no sofá,
no chão, na praia, na rua,
enfim, demonstramos o nosso amor
enquanto, desavergonhada, a lua
espreita tudo com os seus olhos,
vê que nos amamos e o divulga
quando cheia brilha no escuro!
Não me apetece fazer rima,
nem daquela rasca, pequenina,
tenho-te a ti no pensamento,
requeres total empenho mental,
visto que sofres do mesmo mal
que eu, amamo-nos, n'é verdade?
E por nos amarmos, a vida é bela,
enquanto dura a época de cinderela,
qualquer dia é da varina dia
e por nos amarmos, a vida é fugidia!
Mas não me preocupo com isso,
quero viver contigo, e o reboliço
a que estou sujeito cá dentro
só prova que és importante,
só quem não me deixa indiferente
consegue ter-me inteiro total,
e tu me atrais como luz
para o insecto que sou afinal!
29/06/2004
Monday, January 30
CLVII
Trovão hoje
O trovão atacou de novo,
quando nem som já se ouvia,
mas nunca é pura a alegria
quando parece existir
uma conspiração para revelar
o mau que a vida tem para dar,
para me tirar o tempo de dormir!
Entende que eu te perdoarei,
porque sem ti não viverei,
mas a dor que foi canalizada
vai ser difícil de esquecer,
porque foi decerto bem cravada
na tábua do coração a bater!
Mas volta, diz-me que és meu,
eu mando a dor dar uma curva,
esqueço a noite que foi turva,
abro a porta do salão de amor teu!
Quero ver qual o desfecho
desta cena tão dramática,
si sigue doliendo en mi pecho
ou se ataco a dor e revoluciono
o sentir da noite e do dia,
torno a vingança coisa prática,
visto no Japão o meu kimono
e retrago a minha alegria!
Nunca digas que eu não te amo,
isso é apenas uma possível desculpa,
cada um tem de acreditar no que
o outro diz, ou então bem nos lixamos,
lá porque te sentes só e triste,
a verdade é que me sinto assim também,
só te peço, não me deixes só e triste!
07/06/2004
O trovão atacou de novo,
quando nem som já se ouvia,
mas nunca é pura a alegria
quando parece existir
uma conspiração para revelar
o mau que a vida tem para dar,
para me tirar o tempo de dormir!
Entende que eu te perdoarei,
porque sem ti não viverei,
mas a dor que foi canalizada
vai ser difícil de esquecer,
porque foi decerto bem cravada
na tábua do coração a bater!
Mas volta, diz-me que és meu,
eu mando a dor dar uma curva,
esqueço a noite que foi turva,
abro a porta do salão de amor teu!
Quero ver qual o desfecho
desta cena tão dramática,
si sigue doliendo en mi pecho
ou se ataco a dor e revoluciono
o sentir da noite e do dia,
torno a vingança coisa prática,
visto no Japão o meu kimono
e retrago a minha alegria!
Nunca digas que eu não te amo,
isso é apenas uma possível desculpa,
cada um tem de acreditar no que
o outro diz, ou então bem nos lixamos,
lá porque te sentes só e triste,
a verdade é que me sinto assim também,
só te peço, não me deixes só e triste!
07/06/2004
Sunday, January 29
CLVI
Comerciando
No auge do seu trabalho,
os operários do concerto
produziam já o som do
que havia de ser para sempre!
A comemorar uma história
que nos trouxe liberdade,
esta que nos livrou da escória
que nos trazia enfermidade!
Não há escolha a fazer,
entre democracia e ditadura,
obriguem-me a na última viver
e mando erguer minha sepultura!
Com o som surdo dele a cantar
percebo que posso esperar
pela chamada do dia,
hoje o sol não me arrepia!
É apenas ter paciência,
os NA me ligará,
e se não ligar,
tanto se me dá,
porque no fundo ele perde
mais que eu, que perdi
a ilusão de tê-lo agora
vivo na esperança, embora
nunca viva de novo o que vivi.
Prudente é o tempo,
que anda devagar se precisa,
traz-me a ira, sempre
que eu preciso do seu auxílio,
ele me abandona, qual indecisa
vendedora de rua em exílio!
22/04/2004
No auge do seu trabalho,
os operários do concerto
produziam já o som do
que havia de ser para sempre!
A comemorar uma história
que nos trouxe liberdade,
esta que nos livrou da escória
que nos trazia enfermidade!
Não há escolha a fazer,
entre democracia e ditadura,
obriguem-me a na última viver
e mando erguer minha sepultura!
Com o som surdo dele a cantar
percebo que posso esperar
pela chamada do dia,
hoje o sol não me arrepia!
É apenas ter paciência,
os NA me ligará,
e se não ligar,
tanto se me dá,
porque no fundo ele perde
mais que eu, que perdi
a ilusão de tê-lo agora
vivo na esperança, embora
nunca viva de novo o que vivi.
Prudente é o tempo,
que anda devagar se precisa,
traz-me a ira, sempre
que eu preciso do seu auxílio,
ele me abandona, qual indecisa
vendedora de rua em exílio!
22/04/2004
Saturday, January 28
CLV
SOE
Ao tocar na folha,
senti vontade de dizer
o que dentro restolha,
o que quero fazer!
Quero enlouquecer,
perder o que ainda não perdi,
lucidez mental de aprés-midi,
num mundo estranho viver!
Mas agora me apercebi
que nesse mundo já viv'eu,
por isso deixo-me aqui,
nesta terra a quem me deu!
Com a batida forte,
entro no ritmo claro
que precisava, o faro
do cheiro intensificador
de viver com o som nítido!
Esse som que me provoca,
intensamente me desloca
p'ra fora de mim, tudo
o que não é chorudo
fica escondido interno!
Odor finamente pútrido
exala de ti, meu inferno,
escreve melhor que não
há p'ra ti salvação,
mortal és, foste e serás,
até que morras novamente,
ó d'Olissipo Satanás,
bebe e morre, de repente!
22/04/2004
Ao tocar na folha,
senti vontade de dizer
o que dentro restolha,
o que quero fazer!
Quero enlouquecer,
perder o que ainda não perdi,
lucidez mental de aprés-midi,
num mundo estranho viver!
Mas agora me apercebi
que nesse mundo já viv'eu,
por isso deixo-me aqui,
nesta terra a quem me deu!
Com a batida forte,
entro no ritmo claro
que precisava, o faro
do cheiro intensificador
de viver com o som nítido!
Esse som que me provoca,
intensamente me desloca
p'ra fora de mim, tudo
o que não é chorudo
fica escondido interno!
Odor finamente pútrido
exala de ti, meu inferno,
escreve melhor que não
há p'ra ti salvação,
mortal és, foste e serás,
até que morras novamente,
ó d'Olissipo Satanás,
bebe e morre, de repente!
22/04/2004
Friday, January 27
CLIV
De novo o muro
Não estou perdido,
mais confuso,
a verdade é um embutido,
disperso, efémero, difuso!
Mas é sincero tonto,
perder o que não se tem,
trocar a vírgula p'lo ponto!
Quando chegar a ter,
não sei que irá acontecer,
porque nunca tive.
Ilusão, nada mais,
coisas boas sim,
mas enganadoras, no fundo,
vão então o muro construindo!
Pensei que se tivesse dado
deste a final implosão,
mas parece que parado
não foi o projecto-construção!
O problema posso ser eu,
mas talvez não seja solução,
tema agora quem não temeu,
chore já quem não tem coração!
Os ciclos sempre se completam,
não há nenhum que unicamente dure,
viver assim é algo duro,
mas sou eu e a vida que me dão!
Que conquistei, qual Afonso rei,
mas que total não possuo,
senão talvez tivesse ordenado
a proibição per omni day
desse maldito, podre muro!
12/04/2004
Não estou perdido,
mais confuso,
a verdade é um embutido,
disperso, efémero, difuso!
Mas é sincero tonto,
perder o que não se tem,
trocar a vírgula p'lo ponto!
Quando chegar a ter,
não sei que irá acontecer,
porque nunca tive.
Ilusão, nada mais,
coisas boas sim,
mas enganadoras, no fundo,
vão então o muro construindo!
Pensei que se tivesse dado
deste a final implosão,
mas parece que parado
não foi o projecto-construção!
O problema posso ser eu,
mas talvez não seja solução,
tema agora quem não temeu,
chore já quem não tem coração!
Os ciclos sempre se completam,
não há nenhum que unicamente dure,
viver assim é algo duro,
mas sou eu e a vida que me dão!
Que conquistei, qual Afonso rei,
mas que total não possuo,
senão talvez tivesse ordenado
a proibição per omni day
desse maldito, podre muro!
12/04/2004
Thursday, January 26
CLIII
Kaputiv
Ao usar a verdade como instrumento
para facilitar-me a vida sã,
fui deitar no lixo, ao esquecimento,
a possibilidade dum amor, agora vã!
Pergunto-me se foi certo,
agora apenas penso no perto,
mas é mais uma marca cravada
por mim, na pedra encarnada.
Com a situação controlada,
o descontrolo é perfeito,
dentro de mim, tudo nada,
dentro de ti, meu peito!
Correr para trás, é possível?
Sim, claro, o teu movimento
é claramente em sentido negativo,
mas precisavas agora
de um momento, a hora de
sentir o bem, livre, contigo!
Não pergunto mais nada,
porque me não sei responder,
o que quero é, já, viver!
Posso ter quebrado mais um vaso
no jardim biológico quatro,
mas quem agora ficou raso
foi de novo da motivação o rasto!
12/04/2004
Ao usar a verdade como instrumento
para facilitar-me a vida sã,
fui deitar no lixo, ao esquecimento,
a possibilidade dum amor, agora vã!
Pergunto-me se foi certo,
agora apenas penso no perto,
mas é mais uma marca cravada
por mim, na pedra encarnada.
Com a situação controlada,
o descontrolo é perfeito,
dentro de mim, tudo nada,
dentro de ti, meu peito!
Correr para trás, é possível?
Sim, claro, o teu movimento
é claramente em sentido negativo,
mas precisavas agora
de um momento, a hora de
sentir o bem, livre, contigo!
Não pergunto mais nada,
porque me não sei responder,
o que quero é, já, viver!
Posso ter quebrado mais um vaso
no jardim biológico quatro,
mas quem agora ficou raso
foi de novo da motivação o rasto!
12/04/2004
Wednesday, January 25
CLII
Fazer nada
O que tens feito?
Nada de jeito,
rima e é verdade.
Inconclusivamente conclusiva,
a sua resposta surgiu
como se fosse uma missiva
a suplicar salvação!
Qual distância é a maior,
diz-me lá tu que entendes,
qual das angústias é pior,
conta lá tu que não mentes!
Apareceu num instante
a ideia na cabeça,
porque apareces assim,
do nada, sem autorização,
eu não preciso de ti constante,
volta quando eu te esqueça!
Carbono essencial,
fofo és tu da minha orgânica,
é fácil e intuitiva a quântica
que nos revela o sentimento,
tem muitas leis por descobrir,
é vital de ti perto estar,
para em força resistir
às forças que me puxam
em direcção a sítios
para onde não quero ir!
Volta, guardião,
para proteger o que frágil é,
não há apenas um minuto
em que não pense em ti,
porque será que ocorre
esse facto, diz-me, meu bébé?
Amo-te tanto que penso
que todo o tempo dura
mais quando tu estás longe,
volta, para mim, só hoje!
14/03/2004
O que tens feito?
Nada de jeito,
rima e é verdade.
Inconclusivamente conclusiva,
a sua resposta surgiu
como se fosse uma missiva
a suplicar salvação!
Qual distância é a maior,
diz-me lá tu que entendes,
qual das angústias é pior,
conta lá tu que não mentes!
Apareceu num instante
a ideia na cabeça,
porque apareces assim,
do nada, sem autorização,
eu não preciso de ti constante,
volta quando eu te esqueça!
Carbono essencial,
fofo és tu da minha orgânica,
é fácil e intuitiva a quântica
que nos revela o sentimento,
tem muitas leis por descobrir,
é vital de ti perto estar,
para em força resistir
às forças que me puxam
em direcção a sítios
para onde não quero ir!
Volta, guardião,
para proteger o que frágil é,
não há apenas um minuto
em que não pense em ti,
porque será que ocorre
esse facto, diz-me, meu bébé?
Amo-te tanto que penso
que todo o tempo dura
mais quando tu estás longe,
volta, para mim, só hoje!
14/03/2004
Tuesday, January 24
CLI
Vício
Aqui estão elementos vitais,
eu semi-desnudo ao sol,
criança a brincar no areal,
é tudo vida, e nada mais!
A jornada de mau início
está a ter alguma virtude,
saber quando ir e escolher
a acção de me afastar
de algo que, não sendo vício,
é diário, ainda tem de ser...
Como vou conseguir dizer
que longe é o meu lugar,
sem ter medo de inscrever
o ódio no que sempre me amou?
Às vezes tenho tantas dúvidas
que duvido do meu QI,
mas mesmo aquelas mais obtusas
vão construindo de mim o BI!
Não há janela que me ponha
a ver juntos eu e tu, agora,
mas para a morada do coração tua
tenho livre trânsito,
pública é, para mim, essa rua!
Se me deixasses ir contigo,
será que o conseguiria,
esquecer-me de mim e do vício
que me assola, dia após dia?
Se não sabes que vício é,
procura dentro de casa,
talvez o tenhas tão ao pé,
que o fogo dele te abrasa!
E se não chegaste lá,
não serei eu quem to dirá,
mas, sim, o tempo e a vida,
dois entes poderosos e virtuais,
comandantes dos demais!
03/03/2004
Aqui estão elementos vitais,
eu semi-desnudo ao sol,
criança a brincar no areal,
é tudo vida, e nada mais!
A jornada de mau início
está a ter alguma virtude,
saber quando ir e escolher
a acção de me afastar
de algo que, não sendo vício,
é diário, ainda tem de ser...
Como vou conseguir dizer
que longe é o meu lugar,
sem ter medo de inscrever
o ódio no que sempre me amou?
Às vezes tenho tantas dúvidas
que duvido do meu QI,
mas mesmo aquelas mais obtusas
vão construindo de mim o BI!
Não há janela que me ponha
a ver juntos eu e tu, agora,
mas para a morada do coração tua
tenho livre trânsito,
pública é, para mim, essa rua!
Se me deixasses ir contigo,
será que o conseguiria,
esquecer-me de mim e do vício
que me assola, dia após dia?
Se não sabes que vício é,
procura dentro de casa,
talvez o tenhas tão ao pé,
que o fogo dele te abrasa!
E se não chegaste lá,
não serei eu quem to dirá,
mas, sim, o tempo e a vida,
dois entes poderosos e virtuais,
comandantes dos demais!
03/03/2004
Monday, January 23
CL
Da russo
Com o russo o dia comecei,
sem o meu amor aqui ficarei,
na minha cidade natal,
neste ó sim, belo Portugal!
Ao ouvir o som que tenho
bem presente na memória,
repete-se a solidão, em
conformidade com a'stória!
No entanto, devo ter
a companhia do irmão,
mais para o fim do dia,
ó sim, que bela alegria!
Estou melancólico hoje,
o sol deixou de brilhar,
por mim, por todos,
haja escuridão sempre,
para eu me lembrar de ti,
luz que ilumina longe
a terra de muitos poucos.
Terra de muitos loucos,
vivendo como podem e também
tentando enobrecer o mundo,
tendo, no entanto, muito que tentar
para no alvo ali acertar!
Calma, gajo, não vivas assim,
toda a cor que é carmim
pode desmaiar até branco pousar,
mas o que é a vida afinal,
senão uma estrada para percorrer,
obstáculos de pronto ultrapassar,
momento certo para morrer?
01/03/2004
Com o russo o dia comecei,
sem o meu amor aqui ficarei,
na minha cidade natal,
neste ó sim, belo Portugal!
Ao ouvir o som que tenho
bem presente na memória,
repete-se a solidão, em
conformidade com a'stória!
No entanto, devo ter
a companhia do irmão,
mais para o fim do dia,
ó sim, que bela alegria!
Estou melancólico hoje,
o sol deixou de brilhar,
por mim, por todos,
haja escuridão sempre,
para eu me lembrar de ti,
luz que ilumina longe
a terra de muitos poucos.
Terra de muitos loucos,
vivendo como podem e também
tentando enobrecer o mundo,
tendo, no entanto, muito que tentar
para no alvo ali acertar!
Calma, gajo, não vivas assim,
toda a cor que é carmim
pode desmaiar até branco pousar,
mas o que é a vida afinal,
senão uma estrada para percorrer,
obstáculos de pronto ultrapassar,
momento certo para morrer?
01/03/2004
Sunday, January 22
CXLIX
Rei do quase reino
Como é possível que a alegria
seja tão efémera quanto a vida,
sempre que penso em ti, a luz
que brilha dentro irradia amor!
Mas como fazer com que a distância
se dissipe em minha frente, já,
para te encontrar desnudo,
teu corpo meu, relaxado no sofá!
Quero-te tanto, no físico-espiritual,
és, sem dúvida, divindade terrena,
o meu deus recente do amor,
mesmo que estejas aí, afinal!
Deixas-me preocupado, visto não saber
coisas tuas, diárias, d'hoje e d'ontem,
mas o amor que consigo por ti ter
me dá enlightenment pa prosseguir
de ti e para ti esta doce viagem!
Me diziam que tu não és o melhor,
mas meus olhos de amor míopes
não têm qualquer dúvida maior,
és tu, o rei dos antílopes
na savana sem leões do coração!
Entretanto, saíam palavras da boca,
mas o som ficava adentro,
porque sem som estou eu aqui,
à espera do meu príncipe valente,
que ele me faça soar, o som do amor!
Serei eu, então, salvo amanhã?
Não sei nem o poderia saber,
mas já que quase te tenho, amor,
não deixes que quase te perca,
promove que quase te ganhe,
faz com que sempre eu quase morra
e nunca com que eu quase viva!
26/02/2004
Como é possível que a alegria
seja tão efémera quanto a vida,
sempre que penso em ti, a luz
que brilha dentro irradia amor!
Mas como fazer com que a distância
se dissipe em minha frente, já,
para te encontrar desnudo,
teu corpo meu, relaxado no sofá!
Quero-te tanto, no físico-espiritual,
és, sem dúvida, divindade terrena,
o meu deus recente do amor,
mesmo que estejas aí, afinal!
Deixas-me preocupado, visto não saber
coisas tuas, diárias, d'hoje e d'ontem,
mas o amor que consigo por ti ter
me dá enlightenment pa prosseguir
de ti e para ti esta doce viagem!
Me diziam que tu não és o melhor,
mas meus olhos de amor míopes
não têm qualquer dúvida maior,
és tu, o rei dos antílopes
na savana sem leões do coração!
Entretanto, saíam palavras da boca,
mas o som ficava adentro,
porque sem som estou eu aqui,
à espera do meu príncipe valente,
que ele me faça soar, o som do amor!
Serei eu, então, salvo amanhã?
Não sei nem o poderia saber,
mas já que quase te tenho, amor,
não deixes que quase te perca,
promove que quase te ganhe,
faz com que sempre eu quase morra
e nunca com que eu quase viva!
26/02/2004
Saturday, January 21
CXLVIII
Vítreo, saíu
Coroa de espinhos não usava,
porque não me comparo a ninguém,
mas esses habitaram sempre em mim,
porque as coisas nunca estiveram bem!
Bem é quando o rouxinol canta,
desliza suave no mar a manta,
quando a paz reina sempre aqui,
quando eu, em mim pensante, sinto-me em ti!
Quando poderei eu ter-te?
Diz-me isso, porque já não suporto
este insuficiente poder gnósico sobre ti,
eu não sei o que tu vives, perdi
a noção do tempo por te amar,
mas não me dizes nada nestes dias,
não vês que o stress e as agonias
que tenho por não te ter dentro de mim
quando me penetras, e a tua língua
na minha boca quando me beijas
e os braços teus mais grandes
e saber que tanto me desejas,
vamos estar juntos agora, meu amor!
São duros estes dias, pensei
que seria totalmente capaz,
mas hoje sinto-me nu de armas,
desarmado contra sentimentos
que me apedrejam o coração-vidro
e contra grandes pensamentos
que me tornam inseguro o cérebro!
Mas porquê, serei eu normal,
porque não aguento isto em nome
do amor que sinto por ti, Portugal
se tornou tão longe de repente,
tenho noção que tou no fim do mundo,
ai, como me dói o coração, moribundo
por não sentir o teu bater forte!
26/02/2004
Coroa de espinhos não usava,
porque não me comparo a ninguém,
mas esses habitaram sempre em mim,
porque as coisas nunca estiveram bem!
Bem é quando o rouxinol canta,
desliza suave no mar a manta,
quando a paz reina sempre aqui,
quando eu, em mim pensante, sinto-me em ti!
Quando poderei eu ter-te?
Diz-me isso, porque já não suporto
este insuficiente poder gnósico sobre ti,
eu não sei o que tu vives, perdi
a noção do tempo por te amar,
mas não me dizes nada nestes dias,
não vês que o stress e as agonias
que tenho por não te ter dentro de mim
quando me penetras, e a tua língua
na minha boca quando me beijas
e os braços teus mais grandes
e saber que tanto me desejas,
vamos estar juntos agora, meu amor!
São duros estes dias, pensei
que seria totalmente capaz,
mas hoje sinto-me nu de armas,
desarmado contra sentimentos
que me apedrejam o coração-vidro
e contra grandes pensamentos
que me tornam inseguro o cérebro!
Mas porquê, serei eu normal,
porque não aguento isto em nome
do amor que sinto por ti, Portugal
se tornou tão longe de repente,
tenho noção que tou no fim do mundo,
ai, como me dói o coração, moribundo
por não sentir o teu bater forte!
26/02/2004
Friday, January 20
CXLVII
Trisson
Melora, onde estás?
Onde escondeste a espada,
vivendo na sombra de ti,
ocultando a bravura enferrujada,
perdendo o doce murmúrio da vida?
Cobre teu rosto e parte daqui,
sua cabra, peste malvada,
fizeste da amizade uma causa perdida,
só por causa de uma honra desvirtuada!
E enquanto tu sorrias,
que fazia eu - chorava água e sangue...
e enquanto tu choravas,
que fazia - estava morto, há muito exangue!
Por isso vês o que aconteceria
se não houvesse uma criatura
capaz de me dar sangue, a iguaria
que faz da vida comida doce, de sabor pura!
Eu vivo, mas não pensando em tu,
porque tu és o que não quero,
prefiro a Roma de Nero,
prefiro viver à fome no Peru!
No entanto, obrigado por tudo,
porque me fizeste ver que, ao pé de ti,
eu era mais um palhaço no Entrudo,
visto que tinhas mais do que apenas um, sim!
30/01/2004
Melora, onde estás?
Onde escondeste a espada,
vivendo na sombra de ti,
ocultando a bravura enferrujada,
perdendo o doce murmúrio da vida?
Cobre teu rosto e parte daqui,
sua cabra, peste malvada,
fizeste da amizade uma causa perdida,
só por causa de uma honra desvirtuada!
E enquanto tu sorrias,
que fazia eu - chorava água e sangue...
e enquanto tu choravas,
que fazia - estava morto, há muito exangue!
Por isso vês o que aconteceria
se não houvesse uma criatura
capaz de me dar sangue, a iguaria
que faz da vida comida doce, de sabor pura!
Eu vivo, mas não pensando em tu,
porque tu és o que não quero,
prefiro a Roma de Nero,
prefiro viver à fome no Peru!
No entanto, obrigado por tudo,
porque me fizeste ver que, ao pé de ti,
eu era mais um palhaço no Entrudo,
visto que tinhas mais do que apenas um, sim!
30/01/2004
Thursday, January 19
CXLVI
Filhos do então
Cordeiro sem pele,
vivia no Inverno
como se o frio fosse quente,
como se a coisa fosse gente!
Não quero saber dos lobos
nem dos pobres humanos,
uns não me tratam como gente,
outros me matam a sangue quente!
Escuta as vozes que falam,
ouve os pássaros nos ninhos,
vê a natureza que renasce,
olha o mundo com esperança,
porque, em aspectos mesquinhos,
se pensa muito, de verdade,
isso só traz confusão demais,
as pessoas que se agridem e calam
a boca simples da criança,
a doce pele da mocidade!
A geração que virá então
será aquela da revolução,
contra tudo e contra todos,
contra humanos e lobos,
ela não vai tão cedo parar,
só muito depois de iniciar
a destruição cabal
será escrito esse final!
30/01/2004
Cordeiro sem pele,
vivia no Inverno
como se o frio fosse quente,
como se a coisa fosse gente!
Não quero saber dos lobos
nem dos pobres humanos,
uns não me tratam como gente,
outros me matam a sangue quente!
Escuta as vozes que falam,
ouve os pássaros nos ninhos,
vê a natureza que renasce,
olha o mundo com esperança,
porque, em aspectos mesquinhos,
se pensa muito, de verdade,
isso só traz confusão demais,
as pessoas que se agridem e calam
a boca simples da criança,
a doce pele da mocidade!
A geração que virá então
será aquela da revolução,
contra tudo e contra todos,
contra humanos e lobos,
ela não vai tão cedo parar,
só muito depois de iniciar
a destruição cabal
será escrito esse final!
30/01/2004
Wednesday, January 18
CXLV
Ts LPA
Te cerco, persigo o teu valor,
escuto, silenciosamente, o som
que sai de teus lábios frios,
que aquecem com do mel o sabor!
Te escrevo, porque dirijo o vector
ao teu sagrado templo onde procuro
a procura e ser procurado,
sem mácula, sem ferida, sem dor!
Te entendo, já não possuis o vigor
que tiveste em tempos que já lá vão,
as covas onde te enterraram toldaram
o bem mais precioso, a visão!
Te conforto, para alguém que via,
é agora uma dura tarefa,
esquecer a luz, o Sol, o dia,
e viver como se o mundo fosse igual!
Te ilumino, dou a luz essencial
ao teu sobreviver penoso,
dou-te amor, suave e terno,
para que a vida não se torne glacial!
Te amo, meu amor de Portugal,
vives dentro e fora do meu corpo,
dentro e fora da minha mente,
mas sempre serás meu, sem bem nem mal!
30/01/2004
Te cerco, persigo o teu valor,
escuto, silenciosamente, o som
que sai de teus lábios frios,
que aquecem com do mel o sabor!
Te escrevo, porque dirijo o vector
ao teu sagrado templo onde procuro
a procura e ser procurado,
sem mácula, sem ferida, sem dor!
Te entendo, já não possuis o vigor
que tiveste em tempos que já lá vão,
as covas onde te enterraram toldaram
o bem mais precioso, a visão!
Te conforto, para alguém que via,
é agora uma dura tarefa,
esquecer a luz, o Sol, o dia,
e viver como se o mundo fosse igual!
Te ilumino, dou a luz essencial
ao teu sobreviver penoso,
dou-te amor, suave e terno,
para que a vida não se torne glacial!
Te amo, meu amor de Portugal,
vives dentro e fora do meu corpo,
dentro e fora da minha mente,
mas sempre serás meu, sem bem nem mal!
30/01/2004
Tuesday, January 17
CXLIV
Língua das Bermudas
Queria encontrar uma maneira
de me perder na língua em que escrevo,
para desencontrar-me da vida que levo,
esta vida para viver inteira!
Que quererá isto dizer,
o que é inteiro ser,
é a chuva que cai no rio
ou o som que oiço quando me rio?
Escolherei, agora, esse caminho
de perda e reencontro,
em que vagueio e divago só,
mas em que tenho todo e qualquer ponto.
Ponto cardeal, ponto de lance livre,
qualquer um deles eu possuo,
da vida minha controlo algum usufruo,
não preciso que ruja o tigre!
Olha-me nos olhos, belo animal,
casa comigo sem ter altar,
espera que seja o safari frugal
o transporte que a ti me irá levar!
E aí, no escuro negro,
encontra a tua chance vital,
caça a tua presa, o teu tesouro,
mostra que, sem ter medo
da trivialidade casual,
da vida é capaz de tudo sair
como sai a água de um bebedouro!
Vou então, sem medo, partir!
18/01/2004
Queria encontrar uma maneira
de me perder na língua em que escrevo,
para desencontrar-me da vida que levo,
esta vida para viver inteira!
Que quererá isto dizer,
o que é inteiro ser,
é a chuva que cai no rio
ou o som que oiço quando me rio?
Escolherei, agora, esse caminho
de perda e reencontro,
em que vagueio e divago só,
mas em que tenho todo e qualquer ponto.
Ponto cardeal, ponto de lance livre,
qualquer um deles eu possuo,
da vida minha controlo algum usufruo,
não preciso que ruja o tigre!
Olha-me nos olhos, belo animal,
casa comigo sem ter altar,
espera que seja o safari frugal
o transporte que a ti me irá levar!
E aí, no escuro negro,
encontra a tua chance vital,
caça a tua presa, o teu tesouro,
mostra que, sem ter medo
da trivialidade casual,
da vida é capaz de tudo sair
como sai a água de um bebedouro!
Vou então, sem medo, partir!
18/01/2004
Monday, January 16
CXLIII
Aqui agora sempre
Enquanto as ondas falavam,
eu me perdia encapsulado
no domínio fechado
das ideias que entravam!
Sempre ciente de lugar,
mas com o espírito a vagar,
como quem está aqui agora,
mas decerto por cá não se demora!
É a vida curta que tenho,
porque deveras diminuta ela o é,
mas alegre tento que seja,
não me deixarei ficar sem pé
ao caminhar mar adentro,
nem que tu sejas o carrasco
que me perfure o ventre!
Entende que a tua missão é inútil,
a tua vida, para mim, é fútil,
enquanto procurares o mal
que existe na vida de todos!
Devias ser desterrado,
ó seu buru malfadado,
porque vens destruir
o que tenho aqui agora,
por que razão existes,
para quê toda essa agressão
direccionada a quem nunca
mal te fez algum?
Será que a raiva que encerras
em ti se deve soltar em mim,
dessa maneira, presente, assim?
Não sei nem pretendo saber
dado que só quero escrever,
é isso que mal ou bem sei fazer,
é algo que é demasiado forte
para que, com amarras, possas deter!
02/01/2004
Enquanto as ondas falavam,
eu me perdia encapsulado
no domínio fechado
das ideias que entravam!
Sempre ciente de lugar,
mas com o espírito a vagar,
como quem está aqui agora,
mas decerto por cá não se demora!
É a vida curta que tenho,
porque deveras diminuta ela o é,
mas alegre tento que seja,
não me deixarei ficar sem pé
ao caminhar mar adentro,
nem que tu sejas o carrasco
que me perfure o ventre!
Entende que a tua missão é inútil,
a tua vida, para mim, é fútil,
enquanto procurares o mal
que existe na vida de todos!
Devias ser desterrado,
ó seu buru malfadado,
porque vens destruir
o que tenho aqui agora,
por que razão existes,
para quê toda essa agressão
direccionada a quem nunca
mal te fez algum?
Será que a raiva que encerras
em ti se deve soltar em mim,
dessa maneira, presente, assim?
Não sei nem pretendo saber
dado que só quero escrever,
é isso que mal ou bem sei fazer,
é algo que é demasiado forte
para que, com amarras, possas deter!
02/01/2004
Sunday, January 15
CXLII
Post-tragicus scriptum (PTS)
Pensava que a visão
poderia ser diferente,
mas na minha mente
só paira desilusão!
Isto porque a ilusão
se foi, tranquila,
como se os que estão
pudessem sair da fila!
Aquela que está posicionada
à entrada do edifício maior,
daquele que tem muita entrada,
mas ninguém a querer ficar no interior!
Aumento da força tensional,
já o tive ontem, forte e duro,
hoje já estou mais seguro
de que feliz será o final!
No semi-passado pensava
que teria que breve desaparecer,
que isso seria condição necessária
para que outros pudessem viver!
Mas algo me mostrou
o quão importante sou,
sou o mundo para tanta gente,
como me posso apagar subitamente?
Na calma procuro me erigir,
mas é difícil o conseguir,
quando existem fluxos transitórios,
demasiado cruéis, contraditórios!
17/09/2003
Pensava que a visão
poderia ser diferente,
mas na minha mente
só paira desilusão!
Isto porque a ilusão
se foi, tranquila,
como se os que estão
pudessem sair da fila!
Aquela que está posicionada
à entrada do edifício maior,
daquele que tem muita entrada,
mas ninguém a querer ficar no interior!
Aumento da força tensional,
já o tive ontem, forte e duro,
hoje já estou mais seguro
de que feliz será o final!
No semi-passado pensava
que teria que breve desaparecer,
que isso seria condição necessária
para que outros pudessem viver!
Mas algo me mostrou
o quão importante sou,
sou o mundo para tanta gente,
como me posso apagar subitamente?
Na calma procuro me erigir,
mas é difícil o conseguir,
quando existem fluxos transitórios,
demasiado cruéis, contraditórios!
17/09/2003
Saturday, January 14
CXLI
Javier
Já não há para dúvidas razão
de ter lleno o coração,
ele é o meu fofo e tem na mão
todo o tesouro que foi guardado
em épocas do mundo em criação,
e sendo então em mel preservado!
Amor é o que sinto por ele,
tenho arrepios na pele
quando no meu ouvido soa seu nome,
dos seus lábios carnudos tenho fome,
dos seus abraços doces quero provar,
alma com alma quero agregar!
Visão que nunca tinha tido,
alma gémea da minha, é garantido,
do que depender de mim, querido,
serei teu até que deixes de me amar,
momento esse em que nem quero pensar,
porque o fogo da vida se terá então extinguido!
Intervenção divina, só isso podia trazer
tanta felicidade e tanto prazer,
a única coisa que fez mal
foi tê-lo afastado da minha posição,
porque um amor internacional
é de mais difícil manutenção!
Eu, todavia, desse amor não tenho receio
porque a geografia é a única de permeio,
dado que tudo o restante me apoia
e, se não apoiasse, eu próprio o forçaria,
com a força do coração e alma
que querem ver a luz do dia!
Retiro deste poema o afirmar
de toda a força que possuo para amar,
te quiero mucho, mi chiquitin,
esse é o estado em que me encontro, assim,
apaixonado, enamorado por ti,
que o amor nos una sempre aqui!
14/09/2003
Já não há para dúvidas razão
de ter lleno o coração,
ele é o meu fofo e tem na mão
todo o tesouro que foi guardado
em épocas do mundo em criação,
e sendo então em mel preservado!
Amor é o que sinto por ele,
tenho arrepios na pele
quando no meu ouvido soa seu nome,
dos seus lábios carnudos tenho fome,
dos seus abraços doces quero provar,
alma com alma quero agregar!
Visão que nunca tinha tido,
alma gémea da minha, é garantido,
do que depender de mim, querido,
serei teu até que deixes de me amar,
momento esse em que nem quero pensar,
porque o fogo da vida se terá então extinguido!
Intervenção divina, só isso podia trazer
tanta felicidade e tanto prazer,
a única coisa que fez mal
foi tê-lo afastado da minha posição,
porque um amor internacional
é de mais difícil manutenção!
Eu, todavia, desse amor não tenho receio
porque a geografia é a única de permeio,
dado que tudo o restante me apoia
e, se não apoiasse, eu próprio o forçaria,
com a força do coração e alma
que querem ver a luz do dia!
Retiro deste poema o afirmar
de toda a força que possuo para amar,
te quiero mucho, mi chiquitin,
esse é o estado em que me encontro, assim,
apaixonado, enamorado por ti,
que o amor nos una sempre aqui!
14/09/2003
Friday, January 13
CXL
5enta
Não sabia que cabia num só dia
tanta, muita, demasiada alegria,
duas pessoas importantes, uma chamada,
vários elogios, com uma pessoa corada!
Essa coloração que surge natural
não quando a pessoa não sabe a verdade,
mas quando, mesmo ciente da verdade,
ela sente que é algo de especial!
É um momento de alegria,
o penta, é esse o dia,
mas existem outras datas
em que houveram serenatas!
Toujours é a expressão em utilização
nesse caso luso estranho,
quem fomenta a estranha situação
é um jovem poeta lusitano!
Está convencido de que as pessoas exageram
quando dizem que as expectativas não superam
a realidade da beleza do lírico espírito!
Mas tem de deixar de ter essa atitude,
visto que todos os elogios feitos com alaúde,
são extremos exemplos do belo ursito!
Urso, sim, já não tem medo do que é,
se pudesse ser a cor, teria a mesma da cré,
se pudesse escolher a arma,
preferiria a caneta ao pincel,
se pudesse ter um sabor, esse certamente
seria o doce e entusiasmante sabor a mel!
06/09/2003
Não sabia que cabia num só dia
tanta, muita, demasiada alegria,
duas pessoas importantes, uma chamada,
vários elogios, com uma pessoa corada!
Essa coloração que surge natural
não quando a pessoa não sabe a verdade,
mas quando, mesmo ciente da verdade,
ela sente que é algo de especial!
É um momento de alegria,
o penta, é esse o dia,
mas existem outras datas
em que houveram serenatas!
Toujours é a expressão em utilização
nesse caso luso estranho,
quem fomenta a estranha situação
é um jovem poeta lusitano!
Está convencido de que as pessoas exageram
quando dizem que as expectativas não superam
a realidade da beleza do lírico espírito!
Mas tem de deixar de ter essa atitude,
visto que todos os elogios feitos com alaúde,
são extremos exemplos do belo ursito!
Urso, sim, já não tem medo do que é,
se pudesse ser a cor, teria a mesma da cré,
se pudesse escolher a arma,
preferiria a caneta ao pincel,
se pudesse ter um sabor, esse certamente
seria o doce e entusiasmante sabor a mel!
06/09/2003
Thursday, January 12
CXXXIX
Doente mas não amargo
Quando a doença chega,
não há tempo para pensar,
queres te curar depressa,
queres o vírus eliminar!
Mas quão difícil é a cura
para as epidemias do coração,
há o que provoca um rasgão,
sentimento de desgraça absoluta!
Pões a mão no amuleto,
dizes coisas que não fazes,
provocas o queimar da alma
num perigoso hadaico espeto!
Das trevas provém o utensílio
que devora os corpos benignos,
não tem piedade nem quer idílio
para quaisquer pessoas fracas,
com seus sentimentos dignos!
O tempo é de magras vacas,
já dizia o ditado que por isso dizer
sempre fez o povo tremer,
sim, porque os ossos são comidos
pelos pobres e desprotegidos.
É tempo de tudo olvidar,
concentração dirigida para amar,
um abraço e um beijo fortes
a trazer a maior e melhor das sortes!
04/09/2003
Quando a doença chega,
não há tempo para pensar,
queres te curar depressa,
queres o vírus eliminar!
Mas quão difícil é a cura
para as epidemias do coração,
há o que provoca um rasgão,
sentimento de desgraça absoluta!
Pões a mão no amuleto,
dizes coisas que não fazes,
provocas o queimar da alma
num perigoso hadaico espeto!
Das trevas provém o utensílio
que devora os corpos benignos,
não tem piedade nem quer idílio
para quaisquer pessoas fracas,
com seus sentimentos dignos!
O tempo é de magras vacas,
já dizia o ditado que por isso dizer
sempre fez o povo tremer,
sim, porque os ossos são comidos
pelos pobres e desprotegidos.
É tempo de tudo olvidar,
concentração dirigida para amar,
um abraço e um beijo fortes
a trazer a maior e melhor das sortes!
04/09/2003
Wednesday, January 11
CXXXVIII
Escritura
Escritura do terreno,
é aquela que, com veneno,
se assina à espera dela,
da sorte de uma casa bela!
Que casa merecerei eu,
um magnífico mausoléu
ou uma barraca perto do rio,
com um soalho escorregadio?
Não me apetecia cair,
nem dos teus braços sair,
porque é lá que afinal durmo,
é a forma que, com manteiga do amor,
todos os dias unto!
Não é em vão que refiro
que palavras bonitas não retiro
da minha boca a não ser
que os teus ouvidos as possam receber!
Loucuras diversas por ti cometo,
apesar de não querer acabar
como porco no espeto,
posso no entanto tentar
o prémio, teu amor, levar!
É muito bom acordar cedo
e não saber se vou ter medo
do dia que amanhece ali,
naquele preciso instante
quando acaba a segurança constante
do período em que eu dormi!
31/08/2003
Escritura do terreno,
é aquela que, com veneno,
se assina à espera dela,
da sorte de uma casa bela!
Que casa merecerei eu,
um magnífico mausoléu
ou uma barraca perto do rio,
com um soalho escorregadio?
Não me apetecia cair,
nem dos teus braços sair,
porque é lá que afinal durmo,
é a forma que, com manteiga do amor,
todos os dias unto!
Não é em vão que refiro
que palavras bonitas não retiro
da minha boca a não ser
que os teus ouvidos as possam receber!
Loucuras diversas por ti cometo,
apesar de não querer acabar
como porco no espeto,
posso no entanto tentar
o prémio, teu amor, levar!
É muito bom acordar cedo
e não saber se vou ter medo
do dia que amanhece ali,
naquele preciso instante
quando acaba a segurança constante
do período em que eu dormi!
31/08/2003
Tuesday, January 10
CXXXVII
Porta do mato
A vida está complicada
e, a cada esquina acabada,
surge mais uma alma enamorada,
que hei eu de fazer?
São espanhóis, italianos,
franceses, americanos,
só me trazem desafios,
como querem que esqueça
todos esses calorosos elogios?
Qual será o destrinçar
desta situação global,
ficarei acompanhado
ou no solitário matagal?
Essa é a pergunta do dia,
do mês e do ano,
é a que me vem à cabeça
de cada vez que a abano!
No entanto, Cana me explicou,
o matagal solitário é real,
mas não vale a pena dele tentar sair,
quando menos esperarmos,
a porta de saída se vai abrir!
31/08/2003
A vida está complicada
e, a cada esquina acabada,
surge mais uma alma enamorada,
que hei eu de fazer?
São espanhóis, italianos,
franceses, americanos,
só me trazem desafios,
como querem que esqueça
todos esses calorosos elogios?
Qual será o destrinçar
desta situação global,
ficarei acompanhado
ou no solitário matagal?
Essa é a pergunta do dia,
do mês e do ano,
é a que me vem à cabeça
de cada vez que a abano!
No entanto, Cana me explicou,
o matagal solitário é real,
mas não vale a pena dele tentar sair,
quando menos esperarmos,
a porta de saída se vai abrir!
31/08/2003
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